terça-feira, 4 de março de 2014

LIÇÃO VII - Aprendendo a Diferenciar o Inútil e o Útil
"O Princípio da Dúvida é como uma porta aberta para a autocognição..." - Anônimo

O Excesso de Informação e o Paradoxo do aumento de Desinformados e o Drama Existencial Humano.
Leitor com Livro
Nesta última parte, faremos uma espécie de reflexão criativa, e poderemos aprender a tirar proveito do excesso de informações que mais confunde que informa. Nunca, em nenhum outro tempo tivemos tanta informação e recursos didáticos disponíveis como agora. O problema é como fazer bom uso de tudo isso e o mais importante, como saber diferenciar o que é inútil e o que é útil. 

Outra questão que merece destaque é a força da mídia, muitas vezes criando verdadeiras aberrações e deformidades sociais rotuladas de coisas úteis. Cumpre ao educador ou pai ficar atento a tudo isso, pelo menos aqueles que estão verdadeiramente interessados na correta instrução e da educação dos seus alunos ou filhos. 

Lembrando sempre que, nossa principal fonte de informação e esclarecimento ainda é a mídia, seja ela impressa, radiofônica ou televisiva. Mas a mídia é seletiva, deforma, condiciona, oculta, tenta limitar o limiar de informação do seu cativo público, uma vez que sua intenção deliberada é conduzir todos para onde lhes apontam os interesses comerciais. 

Ela não tem o propósito de informar, esclarecer, criar indivíduos pensantes e livres para escolher, mas antes disso, conduzi-los pelas rédeas, induzir padrões alienados de comportamento, por isso mesmo, quanto maior o nível de ignorância e falta de esclarecimento, melhor. 

Desnecessário é dizer que o excesso de informação não quer significar que precisamos de tudo isso, ou que sejam importantes, como querem nos fazem crer esses mesmo meios de divulgação, a poderosa máquina publicitária, enfim, os meios encarregados de torná-las necessárias, quando, na maioria das vezes, não o são. 

Mas afinal de contas, qual é o papel da máquina publicitária especializada em criar necessidades onde não há, senão o de criar a obrigatoriedade de consumo dentre os incautos ou não pensantes, de condicionar multidões e nações inteiras, para então escoarem seus produtos, doutrinas, idéias ou ideais? 

O Papel do Verdadeiro Educador ou Pai
Na vida de um pai ou educador é necessário uma urgente avaliação daquilo que é realmente importante para um viver sensato, coerente, mas não de acordo com preceitos sectários de qualquer natureza, que mais criam caos que soluções. Aprender ainda a separar aquilo que apenas surgiu como uma idéia passageira de consumo, um culto à inutilidade, uma estratégia para criar mais confusão e uma mesologia patológica repleta de sociopatas. 

Pense bem, eles não desejam um mundo perfeito, afinal de contas, nesse cenário não haveria espaço para eles e suas bugigangas, ideologias ou projetos mágicos, que além de não resolverem as questões existenciais do homem, só criam mais problemas, dependências, alienação e conflitos. 

Um pai ou educador deve estar atento às suas obrigações, e aprender a separar o útil do fútil. Deve orientar filhos e alunos para se tornarem indivíduos questionadores, críticos conscientes, que não se deixem facilmente induzir por necessidades irreais, causa da maioria das nossas frustrações. 

Cultivar desde cedo em nossos filhos e alunos o senso de direção, significa dar-lhes orientação para se tornarem livres. Livres da obediência cega às autoridades que ditam as regras de consumo, de pensamentos deformados, de ideologias, de comportamentos sociais bizarros. A vida não é um modismo, muito menos podemos limitá-la ao sucesso profissional, ou às relações pessoais, menos ainda em seguir as tradições, ela é tudo isso e mais a absoluta clareza de consciência, o sentimento que nos torna justos sem precisar seguir protocolos, regras sociais ou preceitos religiosos, ou qualquer guru sectário que se autointitula dono da verdade. 

O respeito e a consideração, sem a obrigatoriedade de que os jovens devam se submeter a uma disciplina forçada, deve ser a principal motivação de um preceptor atento ao seu verdadeiro papel. 

Devemos sempre nos lembrar que um instrutor consciente de sua função, que se preocupa e tem no ensino a sua vocação, não tem opiniões pessoais, ele sempre demonstra fatos, pois diante de fatos, refutações, conjecturas e debates especulativos serão sempre inúteis."De que adianta possuir uma vasta e rica cultura sem o devido discernimento?" - Anônimo


Refletindo Racionalmente Sobre Minhas Reais Necessidades
Leitor com Livro
Como educador ou pai, o computador será para nós apenas uma ferramenta auxiliar em nosso trabalho. Sua função é ajudar a educar, facilitando em alguns casos o exercício da função de orientador, e nunca criando mais confusão ou desorientação.

Mas como podemos usar o computador para nos auxiliar, e quais são de fato os recursos necessários, aquele mínimo necessário para começar ou dar continuidade ao trabalho?

O certo é que Quase nunca iremos precisar daquilo que o mercado diz que precisamos. O mercado vive do consumo exagerado, da venda de itens que não servem aos nossos propósitos, servindo tão somente para saciar sua crescente e incessante fome de lucro, o que quer dizer que farão de tudo para escoarem aquilo que sai de suas linhas de produção, sendo ou não coisa útil.

Mas para enfrentá-los da forma adequada, precisamos saber exatamente o que nos atende, não aquilo que homologam como necessidades. Por isso os princípios da dúvida e do esclarecimento são imprescindíveis.

Afinal de contas, do que precisamos para consecução de nossas tarefas? No mercado corporativo é assim, primeiro criam um produto, depois nos convencem de que eles são absolutamente necessários ao nosso viver, à nossa profissão, ao nosso lazer, à nossa felicidade.

Para isso eles contam com uma sofisticada, bem estruturada e competente máquina publicitária, que como ninguém conhece o comportamento humano. Sabem como impressionar as pessoas, sabem criar novos consumidores e cativar os antigos. Sabem manipular suas emoções, e mais importante, conhecem em profundidade quais os mecanismos necessários para que suas abordagens sejam sempre eficientes.

De verdade precisamos apenas de um computador que nos permita acessar a Internet, que possa ler nossos CDs, que nos permita ler e escrever e-mails, rodar programas simples, tais como planilhas de cálculo, editores de texto, jogos educativos e programas básicos para desenhos, e isso, os modelos simples e baratos são capazes de fazer com folga.

De que tipo de Computador eu Preciso?
Cartoon
Sendo pai ou educador, sem pretender produzir filmes ou transformar meu computador em um estúdio para produção de músicas ou vídeos profissionais, preciso do mais simples. Daqueles tudo em um, aqueles chamados pelos fanáticos em informática de máquinas de amadores, ou equipamentos on-board, que consistem de equipamentos com apenas uma placa principal, ou mãe, onde todos os componentes necessários ao seu funcionamento já estão incorporados.

São os modelos mais baratos. Possuem pelo menos um monitor de vídeo de 15 polegadas, e um gravador de CD/DVD. Os demais componentes tais como, modem ou cabo de rede para acessar a internet, placa de som e vídeo, disco rígido, teclado e mouse já estão incluídos nesses modelos básicos. Uma impressora simples e talvez um aparelho de scanner (para importar fotos ou desenhos para o computador) ou para simplificar apenas uma Multifuncional, não são itens supérfluos.

Não precisamos de microfones, de teclados e mouses sofisticados e sem fio ou infravermelho, ou controles remotos e coisas assim, que apenas encarecem sem acrescentar muita coisa útil.

E exceto em casos excepcionais e bem pontuais, também não precisamos de super placas de vídeo 3D, ou monitores de plasma, LCD ou LED de 24 polegadas, ou ainda placas de som com 64 canais, como quer nos fazer crer a indústria do consumo exagerado. 
"Sem o desejo de mudar não é possível aprender..." - Anônimo

A Internet como Ferramenta Didática – Uma Idéia de Atividade
Leitor com Livro
Eis uma Atividade Didática que podemos realizar com a ajuda da Internet, cujos benefícios para nossos educandos serão compensadores.

Dê um tema e peça para que procurem na Rede dois artigos que retratem pontos de vista antagônicos para essa mesma questão. Aprenderão na prática sobre diversidade, sobre antagonismo, sobre divergências, por isso mesmo se tornarão mais críticos quando ao hábito corrente de decidir após consultar apenas uma fonte.


As Armadilhas da Internet
Cartoon
É inegável a utilidade na Internet em nossas vidas, mas a crença de que só existem pessoas bem intencionadas e que farão de tudo para construir um mundo melhor a troco de nada, convenhamos, é imaturidade.

No mundo real existem os bem intencionados e os maus. Outra coisa, se há um mundo de informações disponíveis para qualquer tipo de uso, não devemos acreditar que tudo é coisa útil. Por isso o senso critico cada vez mais é imprescindível.

Assim, a primeira e mais importante coisa nesse mundo repleto de informações é aprender a separar o útil do inútil, a realidade da fantasia.

Ali é um mundo livre onde qualquer um pode publicar o que bem entende. Um mundo onde todas as formas expressões, não éticas e éticas, são permitidas e convivem lado a lado; um mundo onde as mentiras proliferam, onde os absurdos ganham notoriedade, onde as verdades de fato, podem nunca aparecer.

Sendo um mundo onde a maioria das fontes estão ocultas pelo direito da livre expressão, qualquer informação não avaliada de forma sensata e crítica, pode causar mais danos e confusão do que benefícios. Daí a importância de uma avaliação prévia da integridade dos meios divulgadores dessas informações.

É nesse momento que o bom senso deve prevalecer sobre a emoção, onde o discernimento se faz necessário, onde o questionamento pessoal deve se sobrepor à opinião da maioria que se recusa a pensar, a turba que simplesmente prefere seguir a onda da vez como cegos ávidos por uma fonte de luz.

É um mundo novo, onde os boatos soam como verdades, onde a falta de reflexão pessoal pode nos fazer cair em perigosas armadilhas, e tudo isso pode se transformar numa fonte de transtornos e problemas sérios, de onde o usuário imprudente sairá perdedor.



"Inteligente não é aquele dono de vasto saber e cultura, mas aquele que sem cultura possui grande saber..." - Anônimo

Cuidado com as Vantagens Exageradas
Leitor com Livro
Não existiriam exploradores da boa vontade se não existissem os incautos, e não existiriam enganadores se não existissem aqueles que são enganados, e estes, infelizmente, na maioria das vezes somos nós. Zelo, bom juízo e muito senso crítico, nesse novo mundo, nunca serão exagerados, mas antes disso, será sinônimo de prudência e inteligência. 

Como pais e educadores não podemos nos desviar de nosso propósito que é educar corretamente. Mas, isso não podemos fazer se tivermos em mãos informações erradas, falsas demandas, mentiras habilmente mascaradas como verdades pela poderosa e competente máquina de indução dos meios de comunicação. Basta uma estratégia publicitária bem elaborada, patrocinada por uma máquina que como ninguém conhece a psique humana, e logo um absurdo se transforma em uma necessidade, em algo do qual supostamente não podemos, nem devemos, abrir mão. Fácil é condicionar uma mesologia, difícil mesmo é remover de nossas mentes tais hábitos e manias. 

Vantagens absurdas que chegam à nossa porta vão exigir de nossa parte uma reflexão maior. Se parece tão vantajoso, por que o próprio autor não usufrui dos seus benefícios? Por que deseja compartilhar com desconhecidos sua fórmula da fortuna fácil? São as campanhas de arrecadação para quase tudo, as pirâmides financeiras que prometem vantagens absurdas sem nenhum esforço ou capacitação, e tantas outras abordagens, que, infelizmente, ainda encontram tolos dispostos a se tornarem a próxima vítima. 

Outra reflexão que julgo importante são os falsos boatos e a ação dos aproveitadores inescrupulosos, que sempre estão dispostos a enganar os incautos. E mais uma vez usam e abusam do apelo emocional para enganar os ingênuos, e no final de tudo isso, alguém sairá perdendo e outros levarão vantagem. Mais do que nunca, ter senso crítico é a regra básica. 

Usando a internet de Forma Racional
Cartoon
Como não temos a pretensão de induzir ninguém a pensar de modo direcionado, ou incutir opiniões de qualquer natureza, vamos nos limitar a relatar apenas fatos, eventos estes que poderão ser facilmente evidenciados em nosso dia a dia, pois um fato sempre será uma evidência irrefutável, a assim deve ser, sem depender de opiniões de quem quer que seja. 

Sem dúvida como fonte de pesquisas, temos então ao nosso dispor o maior repositório de informações de todos os tempos, desde que o homem aprendeu a caminhar ereto sobre duas pernas. 

Eis então o nosso primeiro e grande problema, a diversidade de opiniões sobre uma mesma coisa. A princípio não há nenhum problema, mas a partir de um momento que precisamos de uma referência autêntica, por qual dessas fontes devemos optar? 

Isso é verdadeiro especialmente para os relatos dos eventos históricos, onde as contradições são quase uma regra e não uma exceção. E com o avanço das modernas técnicas de pesquisas históricas e mesmo científicas, as fontes de onde podemos tirar informações sobre um mesmo tema se diversificam, os mitos se desmistificam, conceitos são reformulados, o que pode causar mais confusão. Enquanto estávamos limitados às escassas fontes que nos traziam os livros, não havia problemas, mas e agora diante de tamanha diversidade? 

Assim, sendo eventos bem documentados, cuja referência sejam fontes conceituadas, o bom senso deverá ser nosso guia, e certamente iremos optar por estas. Mas, como saber se as fontes são bem conceituadas, idôneas, se possuem a credibilidade necessária para que possamos usá-las em nosso trabalho, ou mesmo aprender com isso alguma coisa útil? 

Mais uma vez, o bom senso crítico deverá prevalecer. Não podemos nos agarrar aos sensacionalistas, aos defensores intransigentes de pontos de vista pessoais. Uma fonte histórica não opina sobre fatos, e quando o faz, deixa isso bem claro e tem o cuidado de separar as opiniões pessoais dos eventos notadamente históricos que se presta a relatar. 

Um evento histórico não deve ser algo abstrato, sujeito a inúmeras versões e interpretações, deve antes estar amplamente amparado em fontes documentais autênticas, se possível com cópias dos documentos originais referenciados em suas explanações. Referências complementares, fontes adicionais que confirmem, ou pelo menos tentem autenticar tais eventos, baseados obviamente nas evidências conhecidas, devem necessariamente acompanhar o material consultado.



"Não existe forma mais competente e profunda de instrução, que o exemplo pessoal daquele que se diz docente..." - Anônimo

A Estratégia do Desperdício – Por que Consumimos além do Necessário?
Leitor com Livro
Assim como temos uma indústria de bens de consumo cujo objetivo é condicionar novos e antigos consumidores a comprarem seus produtos, temos também um segmento dessa mesma indústria que se encarregará de torná-los obsoletos por decreto, vendendo para nós a idéia de que precisamos reciclar nossas necessidades, mesmo que isso não seja verdade. 

É a indústria dos ideais instituindo às coisas abstratas um status de bens de consumo, como já o fazem com as coisas materiais. Portanto vendem idéias, crenças, comportamentos bizarros, e tudo isso habilmente disfarçado de necessidade. 

E se temos um aparelho celular que se presta apenas a fazer e receber ligações telefônicas, logo seremos vistos como ultrapassados, como conservadores, como contrários ao progresso. Por isso mesmo criaram o conceito do status pessoal a partir das posses materiais. 

Assim, possuir um aparelho de última geração, dotado de recursos dos quais nunca iremos precisar, por convenção, tende a refletir o tamanho da importância e um papel social de destaque do seu feliz dono dentro daquela mesologia. 

Outra coisa que merece nossa atenção é a Estratégia da Criação de Falsos Problemas. Funciona assim: Primeiro eles criam um falso problema e depois se apresentam como portadores da solução. Mas não se trata de um problema qualquer, mas de uma questão que nos farão crer tratar-se de uma necessidade básica, algo do qual não podemos abrir mão. 

Por fim, irão nos convencer que somos nós que temos o poder de decisão, de que temos um livre arbítrio e um discernimento que nos capacita a tomarmos a decisão certa, desde que isso seja, claro, optar por consumir, ou nos identificarmos com aquela causa. 

Aprendendo a Conviver com a Estratégia do Desperdício
Cartoon
Num mundo de consumo irrefletido, onde primeiro compramos e só depois discutimos a utilidade, onde o excesso de informações acaba por criar um indivíduo mais confuso que esclarecido, mais ansioso, mais apressado, insatisfeito por excelência, sempre na expectativa de que soluções mágicas vindas das prateleiras das lojas resolvam seu problema existencial, num cenário dessa natureza, de nossa parte, algo precisa ser feito. 

Eles pensam por nós, e como animais amestrados apenas seguimos seus passos, e o mais importante, somos convencidos de que temos vontade própria, liberdade e clareza para decidirmos nossos destinos, quais são nossos objetivos e proposta existencial. 

Um educador ou pai, que pretenda orientar de uma forma sensata seu aluno ou filho, deverá abrir mão das suas preferências pessoais, e deixá-los livres para escolher as suas próprias a partir do seu temperamento, conforme sejam suas predisposições naturais, mas isso pode não ser uma tarefa fácil. Afinal, todos nós temos opiniões e gostos pessoais, que na maioria das vezes, acabamos por incutir, de forma indireta ou direta, como sugestões subliminares, aos nossos educandos. 

Não somos obrigados a consumir nada além daquilo que seja essencial ao nosso viver, e essa lista de necessidades, se refletirmos bem, é bem curta. Mas num mundo onde o consumo se tornou a razão ou o objetivo de vida da maioria das pessoas, novas e inúteis necessidades são criadas numa velocidade apenas menor que nossa ânsia por correr às lojas para comprar o modelo mais novo, do que quer que seja.




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