"Cada um aprende com seus próprios erros; mas também podemos fazê-lo a partir dos erros alheios..."Anônimo
Criando uma Nova Atividade através da Improvisação
Criando uma Nova Atividade através da Improvisação
Podemos por exemplo substituir um dado, aquele objeto quadrado com pontinhos prestos que é usado em muitas atividades recreativas, por sementes de feijão, ou outras. Vejamos como. Primeiro vamos pegar três caroços e cortá-los ao meio, conforme pode ser visto na figura abaixo. Então teremos seis peças que podem substituir os Dados. Eis a seguir como todo processo funciona
O aluno vai pegar as seis metades das sementes com uma das mãos e em seguida jogá-las sobre uma mesa, tabuleiro ou chão.Eis como o resultado deverá ser interpretado: As sementes com a parte escura voltada para cima representam um ponto.
Exemplo, cinco com casca para cima, é igual a cinco pontos, assim como seria considerado se fossem os Dados.
Este simples fato de trocarmos os Dados por sementes de feijão ou outra qualquer, dá uma nova perspectiva ao jogo ou a aquela atividade que tradicionalmente seria jogada com os já conhecidos acessórios. Além disso, cada jogador terá que desenvolver sua própria técnica de arremessar as sementes, o que exigirá do mesmo mais atenção, melhor coordenação motora, maior interatividade como participante, o que sem dúvida trará mais diversão e atração à brincadeira.
Criando mais Atividades – Jogo da Memória
Outra atividade que podemos improvisar com materiais novos ou alternativos são os chamados jogos de memória. Nessa categoria de atividade podemos criar as mais variadas brincadeiras, usando materiais simples tais como, papelão usado recortado em quadrados, tampas de refrigerantes, embalagens de ovos, objetos de qualquer natureza, etc.
Podemos ainda alterar um pouco a brincadeira substituindo o tradicional modelo de formação de pares iguais ocultos, para, por exemplo, a formação de palavras, de grupos de cores, figuras e suas silhuetas, nome do objeto formando par com a respectiva ilustração, partes de um objeto que complementa outro, palavras em inglês formando par com a tradução, objetos que foram colocados fora de ordem, etc. Uma atividade desse tipo, se bem explorada, pode render excelentes resultados quase sem custo algum, exceto pela mão de obra.
Criando uma Atividade sem Custos
Podemos também sem custo algum, a não ser o próprio material didático, trabalhar de forma bastante eficaz a criatividade da turma, pedindo-lhes para que, dado um problema qualquer, apresentem de forma escrita sua própria solução. Isso desenvolve a atenção, a clareza de expressão, a leitura e a escrita, a capacidade de lidar com problemas e tantas outras qualidades onde o raciocínio emocional e seu oposto, a lógica, atuem de forma conjunta.
Exemplo: Poderíamos perguntar para uma turma: “Como vocês agiriam se precisassem alimentar dez pessoas e só tivessem alimentos para a metade delas?”. O educador pode ajudar dando pistas para que cheguem a uma solução, e assim por diante.
Os problemas apresentados podem ser de qualquer natureza, e tão diversos quanto seja a criatividade do coordenador. A própria atividade pode sugerir outras derivações desta, etc.
Como Definir o espaço e Selecionar os Materiais
É importante planejar o ambiente onde serão realizadas as Atividades. Desse modo, quando em local interno, a sala deve ser dividida em áreas bem definidas. Os espaços devem estar marcados de forma clara e visível, com móveis, paredes, estantes, divisórias, marcações no chão, etc.
Os nomes das áreas, na medida do possível, devem ser compreensíveis às crianças. Assim, por exemplo, deve-se usar a expressão “área de subir e descer”, e não “área de atividade de coordenação motora”.
Áreas de atividades relacionadas devem ser colocadas lado a lado. Elas devem ter espaço suficiente para uma livre circulação das crianças.
Os Materiais de Uso aberto ou geral encorajam a criatividade e a procura pelas soluções mais inteligentes durante o trabalho para a resolução dos problemas.
E quais são os Materiais de Uso aberto ou geral?
Os materiais de uso aberto são aqueles que podem ser utilizados de várias maneiras. Blocos, papel, cartões, tubos (o miolo de rolos de papel, tais como guardanapos e higiênicos), palitos e caixas de fósforo, cola, fitas adesivas transparentes e opacas, caixas de todos os tamanhos, pedaços de madeira recortados em pequenos blocos, cordões coloridos, são alguns exemplos de materiais de uso livre.
Devemos incluir nessa categoria os Legos e outros jogos de montar com os quais as crianças possam construir objetos de acordo com sua imaginação.
"O mestre não apenas se preocupa com seus alunos, ele também sabe o que preocupa cada um deles..."Lao Jorge
Os Elementos Básicos de um Jogo ou Atividade
Os Elementos Básicos de um Jogo ou Atividade
Um jogo deve ter mais ou menos os elementos que detalhamos abaixo. Entendemos que estes itens podem variar de acordo com a abordagem pretendida ou conforme o autor determine, mas, com os itens aqui apresentados, conseguimos até hoje, depois de mais de 20 anos de prática, realizar todas as tarefas que tínhamos em pauta inicialmente apenas como ideias.
- Definição do tipo de Jogo ou Atividade, sua natureza, descrição, objetivo, etc.
- Jogos de salão, ao ar livre, etc. Classificação de acordo com o objetivo pretendido. Isto é, se estimula ou desenvolve a Atenção, a Lógica, Noção Espacial, Coordenação motora, etc.
- São ainda, Jogos dramáticos – fingir cenas ou situações cotidianas.
- Construção – Usar materiais para fazer objetos, algumas vezes para fazer os Jogos dramáticos, outras vezes sem aplicação pré-determinada.
- Jogos de exploração – Explorar as possibilidades dos materiais e dos processos, dos ambientes, de situações, superar obstáculos, vencer desafios, etc.
- Jogos diversos – Jogos de tabuleiro, de cartas , de ação e outros jogos com regras.
- São ainda, Jogos dramáticos – fingir cenas ou situações cotidianas.
- Será preciso uma descrição detalhada de todos os aspectos referentes ao seu conteúdo, à sua aplicação, desenvolvimento, acompanhamento etc. Deve-se descrever também o número mínimo e máximo de participantes e o modelo para aferição de resultados.
- Jogos de salão, ao ar livre, etc. Classificação de acordo com o objetivo pretendido. Isto é, se estimula ou desenvolve a Atenção, a Lógica, Noção Espacial, Coordenação motora, etc.
- Público alvo e faixa etária desse público bem definida
- Detalha-se à quais faixas etárias a Atividade está indicada, assim como, se pode ser jogada individualmente ou em grupo; se grupos mistos, heterogêneos, etc.
- Regras claras de como executar.
- As regras de como jogar devem ser claras, tanto para os participantes quanto para o orientador que se encarregará de conduzir a atividade.
- Relação de materiais.
- São os objetos necessários para o desenvolvimento da atividade. Isto é, brinquedos tais como, bolas de gude, corda de pular, bola tradicional, etc., para atividades ao ar livre, ou os itens para aplicações em ambiente fechado, tais como tabuleiros de damas, xadrez e outros.
- Também relacionamos os itens como cartolinas, lápis de pintar, tintas, pincéis, colas e outros acessórios dessa natureza, quando se tiver a pretensão de criar os próprios objetos que serão usados na brincadeira.
- São os objetos necessários para o desenvolvimento da atividade. Isto é, brinquedos tais como, bolas de gude, corda de pular, bola tradicional, etc., para atividades ao ar livre, ou os itens para aplicações em ambiente fechado, tais como tabuleiros de damas, xadrez e outros.
- Ter um ou vários desafios a serem superados pelo jogador ou participante.
- Cada Atividade deve ter no seu escopo ou objetivo pelo menos um desafio, de preferência com proposta cognitiva, pois um dos principais fatores de motivação para os participantes deve ser a superação de obstáculos de qualquer natureza.
- Ser capaz de prender à atenção dos jogadores, isso quer dizer, que seja agradável de jogar.
- Sendo uma atividade da qual os participantes gostem, certamente que terá maiores chances de êxito e durabilidade.
- No caso dos didáticos, objetivo educativo bem claro, meios de aferir se os benefícios propostos estão
- sendo atingidos e versatilidade para adaptá-los a grupos heterogêneos, mistos, etc. Um meio de aferir se os objetivos propostos foram alcançados, é criar uma planilha simples com os seguintes tópicos:
- Nome da atividade, duração, periodicidade, quantidade de alunos, horário da realização, nível de interesse antes e depois (pode-se ver isso pela atenção que a criança dá a atividade durante todo seu andamento).
- Deve-se também elaborar testes específicos. Por exemplo, se for uma atividade que estimule à alfabetização, este se presta a verificar se as crianças estão aprendendo ou não. Pode-se usar como modelo de aferição o tempo médio gasto com o método tradicional de alfabetização, em comparação com o novo. O nível de interesse pela leitura, a fluidez no interpretar dos textos, tudo isso também pode ser usado como medidas indicativas de que a atividade é eficiente ou se ainda precisa de ajustes"O mestre que não pensa antes de falar acaba por criar discípulos que falam sem pensar..."Jon Talber
Mãos à Obra – Criando um Jogo usando os Elementos Básicos de um Jogo ou Atividade
Vamos então simular a criação de um jogo/atividade com fins didáticos, onde todos os elementos de um jogo estarão presentes, e complementando o escopo, também discutiremos um modo simples de aferir sua eficácia.
Eis o exemplo da criação de um Jogo simples, com todos os elementos já descritos anteriormente presentes.- Nome do Jogo: Objeto oculto ou misterioso.
- Tipo de Jogo: Jogo de tabuleiro
- Material: O tabuleiro pode ser apenas marcado no chão com giz, ou pode ser de cartolina, assim como os cartões. Os desenhos podem ser recortes de revistas ou impressos criados em computador. Também podem ser desenhados com canetas hidrográficas coloridas, ou outras.
- Ambiente: Ao ar livre, sala de aula, sala de reunião ou estar.
- Descrição: Jogo composto por um tabuleiro quadrangular conforme figura ao lado, onde serão colocados pequenos cartões quadrados com ilustrações. As ilustrações podem ser substituídas por cores variadas. As ilustrações poderão ter motivos temáticos. Exemplo: Animais, objetos da casa, da escola, etc. A quantidade de cartões pode variar conforme a faixa etária dos participantes, ou nível de dificuldade pretendido.
- Número de participantes por vez:De 1 a 6. Pode ser jogado aos pares. Crianças maiores poderão jogar sozinhas e as menores com o apoio do orientador.
- Objetivo: O participante deve descobrir pelas pistas do orientador, que figura foi removida do tabuleiro. Mede-se assim o nível de atenção e a qualidade da memória do jogador assim como sua capacidade de compreender e seguir as pistas dadas.
- Forma de execução: As ilustrações em cartões serão colocados sobre o tabuleiro virados para cima, de modo que se possam ver os desenhos. Pode-se iniciar com 4 quadrados e ir aumentando de número à medida que o nível de dificuldade do jogo cresce. O orientador então pede para que fechem os olhos removerá uma figura e dará a pista para todos. Por exemplo, sendo a figura de um carro, o orientador pode dizer: "Esse objeto ou coisa, serve para transportar pessoas." Desejando tornar mais difícil a pista ele pode dizer: "É uma coisa que polui as cidades, usa gasolina, tem rodas, etc."
- Variações: Ao invés de retirar uma figura, pode-se acrescentar uma outra que não estava presente antes. Pode-se ainda pedir que as crianças escolham uma figura e elas mesmas dêem as pistas para que o orientador descubra qual foi. Isso certamente vai aumentar o nível de interesse delas pelo jogo e fazê-las se sentirem mais inseridas na brincadeira e confiantes. Pode-se ainda, através de pistas, pedir para que elas descubram sobre qual figura o orientador está falando, sem que ela seja retirada do tabuleiro. Nesse caso as pistas podem ser progressivas. Por exemplo, ele fará um comentário, referindo-se a uma bola: “Ela não é quadrada...”. Pode-se depois ir acrescentando mais informações: “também não é um triangulo; é vazia por dentro; pode ser de plástico, de couro, tem ar dentro, é usada em modalidades esportivas...”, etc.
- Benefícios esperados da atividade: Desenvolver o nível de atenção e concentração, observação, discriminação visual, organização, construção da memória, capacidade lógica e dedutiva, etc. Com o despertar da atenção a criança se torna mais confiante e segura de seus atos. A prática da lógica vai lhe proporcionar a capacidade de concatenar ideias e resolver problemas complexos. Como podemos ver, os benefícios são muitos, mesmo sendo apenas uma atividade bem simples.
- Modo de avaliação: Não deve haver a intenção de competição entre os participantes, por isso o orientador deve criar critérios onde eles não se sintam, nem superiores, nem inferiores, uns diante dos outros. Deve então, cuidar para que as crianças sempre acertem e os critérios de avaliação serão subjetivos, ou seja, apenas o orientador saberá quem se destacou mais ou menos. Quem se destaca mais, será mais exigido e os demais serão “discretamente ajudados com dicas sutis” nas próximas tarefas. Isso dará aos participantes do grupo uma ideia de nivelamento e todos se sentirão iguais e confortáveis por estarem ali.
- Nome do Jogo: Objeto oculto ou misterioso.
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