terça-feira, 4 de março de 2014

 LIÇÃO III - Aprendendo a Identificar os Materiais mais Simples para Uso
"Sabemos muito sobre nossos amigos, mais ainda sobre os ricos e famosos, mas, será que sabemos tanto sobre os nossos filhos?"Lao Jorge

Introdução - Avaliando o Processo de Criação
Cachorro com prancheta
Uma tarefa cuja solução seja de natureza mais complexa, paradoxalmente, na maioria das vezes, vai requerer uma abordagem mais simples para que possa ser solucionada. Podemos adotar o mesmo princípio como regra para a criação de Atividades Lúdicas com fins didáticos.

Boas e eficientes brincadeiras cognitivas com o uso de materiais baratos, ou com a substituição de outros, ou mesmo sem uso de nenhum material, deve ser uma das principais prioridades do docente.

Na criação de uma Atividade recreativa com fins educativos, primeiro devemos determinar seu objetivo, ou seja, o que pretendemos fazer com ela, qual seu valor didático, etc. Sem complicar muito, devemos ir direto ao nosso problema imediato que é o ato de educar através de Atividades Lúdicas.

A questão é: Se quero desenvolver uma atividade para trabalhar a Atenção, por exemplo, preciso aprender eu mesmo sobre o que é o Estado de Atenção. Sabendo o que é o Estado de Atenção, agora estou apto a criar uma atividade que melhor se adapte ao perfil dos meus filhos ou alunos.

Isso é muito simples, conhecendo bem o assunto que desejamos explorar, conhecendo seu mecanismo de ação, como atua no ser humano, sabendo como é a sua natureza, torna-se muito mais fácil entendermos como as pessoas interagem com aquele processo. Assim, poderemos criar modelos que vão direto ao ponto que desejamos abordar, e então através de uma atividade qualquer trabalhar ou desenvolver essa Habilidade ou Qualificação entre os educandos.

Essa regra se aplica para todas as coisas em nossa vida e não apenas para a criação de Atividades Didáticas.

Conclusão
Uma Atividade lúdica com fins didáticos deve, em primeiro lugar, ter seu objetivo claramente definido, depois disso deve-se procurar qual a melhor ferramenta que será usada para atingir essa meta. Vale salientar, que a orientação em forma de esclarecimento, de modo compreensível, sem redundâncias, com o único propósito de criar na criança um lastro cognitivo de valor, tudo isso é o principal objetivo da aplicação de uma Atividade educativa.

Isto é, através de brincadeiras, vou criar em meus filhos ou alunos condições psicológicas adequadas para que possam entender e enfrentar o mundo que eles têm diante de si. Isso significa que, se desejo despertar em meus filhos ou alunos o gosto pela leitura, devo primeiro entender a razão pela qual eles não gostam de ler, e então, em seguida, aprender sobre todas as técnicas que estimulam e potencializam esse hábito.

Se quero ser ainda mais eficaz em minha abordagem, devo refletir assim: "Como fazer para que entre as crianças daquele grupo haja interesse e uma motivação natural para que realizem com prazer aquela Atividade?" Posso simplesmente perguntar a elas, ou então estudar mais profundamente a coisa. Falaremos sobre o assunto adiante.

Entendendo um pouco mais sobre o processo de atuação de uma Atividade
Cachorro com prancheta
Vamos falar sobre Atividades recreativas que estimulem o desenvolvimento das coisas mais necessárias e importantes para a formação cognitiva, pelo menos a nosso ver, nas crianças ou mesmo adultos de qualquer faixa etária.

Claro que a abordagem usada com uma criança precisa de um pouco de adaptação para ter o efeito desejado também num adulto.

Quando se tornar um adulto a criança terá diante de si um mundo repleto de problemas. Não que os problemas não existam enquanto crescem, mas o fato é que fazemos questão de esconder delas essa realidade. A despeito dessa verdade, enquanto se desenvolve ou amadurece, ela vai precisar adquirir algumas habilidades ou qualificações, tanto a nível psicológico quando motor.

As habilidades que precisa desenvolver e cultivar são aquelas que permitam a ela ganhar autoconfiança, criar independência, e que lhe permita resolver sozinha todos seus problemas imediatos, à medida que forem surgindo em sua longa caminhada em direção à vida adulta.

É importante ressaltar que, desde cedo as crianças precisam ser instruídas, conscientizadas, da necessidade de resolverem seus problemas imediatamente, no momento em que forem surgindo. Problemas acumulados dificilmente são resolvidos, e um problema acumulado logo se transforma em muitos outros problemas.

Para isso, ela precisa desenvolver a Atenção e Organização, o Raciocínio Lógico, a Coordenação e Habilidade Motora e a Sensibilidade. Os demais estados como, Capacidade Visual, Artística, Emocional, e outros tantos, consideramos extensões, desdobramentos, destes já citados.

Criando uma Nova Atividade
Vamos agora supor que se queira trabalhar a Atenção e ao mesmo tempo o Raciocínio Lógico de um grupo de crianças. Podemos criar duas abordagens para uma mesma Atividade. Numa situação não usaremos material algum, enquanto que na outra vamos usar um mínimo apenas.

Nesse caso, podemos classificar do seguinte modo: Na primeira situação sem material, seria um estágio mais avançado da Atividade. Seria adequada para quando o grupo já tivesse adquirido habilidade ou capacidade de compreensão mais refinada; enquanto que no outro, com o emprego de material mínimo, poderíamos considerar como um estágio inicial ou preliminar.

Descrição da Atividade sem Uso de Material
Esta atividade, mesmo parecendo boba num primeiro momento, é de grande valor para se trabalhar, a Lógica básica e avançada, a Atenção, a Capacidade de Solucionar Problemas Complexos, a Organização, a Coordenação e concatenação de Ideias, a Criatividade, a habilidade para pensar rápido, etc., e ainda dará ao participante uma grande autoconfiança.

Aspectos Gerais:
O pai ou professor irá escolher uma palavra chave qualquer e a partir dessa palavra, pedirá a criança para criar uma história cujo final deverá necessariamente terminar com a palavra escolhida. Mas aí existem algumas regras. Por exemplo, a palavra não pode ser a mesma dada, e sim uma composição de uma ou mais palavras, que depois de agrupadas, formem o vocábulo chave.

Isto é mais ou menos assim: sendo a palavra sugerida, por exemplo, JOGADOR. Poderia a história culminar com as palavras, JOGA e DOR. Uma observação importante é que as palavras que formam o vocábulo chave podem não ser compostas pelos termos literais e exatos como no exemplo dado. Pode ser apenas pela entonação silábica da mesma, ou seja, composta por palavras que depois de pronunciadas, foneticamente, se pareçam com o vocábulo escolhido.

Exemplo:
Vamos escolher as palavras, MACACO e PNEU. Veremos duas histórias. Na primeira a palavra chave é formada com exatidão por dois outros vocábulos, e na seguinte, a palavra chave é formada por fonemas diferentes, mas cuja entonação, depois de pronunciadas, também forma o termo escolhido. Os exemplos a seguir servem como guia para o orientador usar como explicação, tutorial, para os alunos. Pode ser qualquer outro exemplo, este é apenas uma sugestão.

História exemplo 1:
Dois vocábulos exatos formam a palavra chave.
“Era uma vez uma menina muito pequena, cuja mãe se chamava MA. Um dia arrumando a casa, sem querer, sua mãe quebra um copo. Depois de varrer os cacos, a mãe já vai saindo, quando a menina vê um pedacinho de vidro num canto do chão e diz: MA, e apontando para o pedaço de vidro: CACO.”

História exemplo 2:
Duas palavras formam a palavra chave pela entonação.
“Numa aula de matemática, o professor se dirige a um aluno chamado NEO e lhe pergunta: Você fez o trabalho que pedi? Ao que o aluno responde: Que trabalho? E novamente o professor lhe diz: Aquele sobre o PI, NEO.” 

Obs. A palavra PI, se refere ao termo matemático específico.

Descrição da mesma Atividade com Uso de Material Mínimo:
No mesmo exemplo acima, o professor ou coordenador da atividade, pode usar cartões com algumas palavras pré-selecionadas escritas. Pode-se, por exemplo, criar grupos de cartões com nomes de animais, objetos pessoais, nomes próprios, etc. Os cartões podem ser numerados e colocados com o vocábulo virado para baixo. A seguir um aluno escolhe um número e a palavra chave será lida. Feito isso ele criará a história especifica. Ao invés de palavras podem ser frases pequenas, etc.

É claro que a ideia por trás disso não é uma disputa, mas um critério para avaliar a capacidade de concatenar ideias e as habilidades criativas de cada aluno. Com isso o orientador pode conhecer melhor a todos e trabalhar os pontos necessários para suprir eventuais deficiências, que a seu ver possuam.

Pode-se avaliar, por exemplo, a forma como a história é elaborada e conduzida, o modo de expressão do aluno, a facilidade e clareza para descrever o contexto, a criatividade, o vocabulário usado, a qualidade de sua entonação, o carisma, etc.

Este exercício cria no aluno ou praticante uma dinâmica de pensar absolutamente diferente do convencional, um pensamento mais ágil, maior capacidade de argumentação, uma capacidade de abstração bem desenvolvida sem dúvida.
"Cada um aprende com seus próprios erros; mas também podemos fazê-lo a partir dos erros alheios..."Anônimo

Criando uma Nova Atividade através da Improvisação
Cachorro com prancheta
A improvisação de materiais, ou uso de novos, de um modo muito simples, pode transformar atividades já consagradas em novas.

Podemos por exemplo substituir um dado, aquele objeto quadrado com pontinhos prestos que é usado em muitas atividades recreativas, por sementes de feijão, ou outras. Vejamos como. Primeiro vamos pegar três caroços e cortá-los ao meio, conforme pode ser visto na figura abaixo. Então teremos seis peças que podem substituir os Dados. Eis a seguir como todo processo funciona

O aluno vai pegar as seis metades das sementes com uma das mãos e em seguida jogá-las sobre uma mesa, tabuleiro ou chão.Eis como o resultado deverá ser interpretado: As sementes com a parte escura voltada para cima representam um ponto.

Exemplo, cinco com casca para cima, é igual a cinco pontos, assim como seria considerado se fossem os Dados.

Grãos de Feijões

Este simples fato de trocarmos os Dados por sementes de feijão ou outra qualquer, dá uma nova perspectiva ao jogo ou a aquela atividade que tradicionalmente seria jogada com os já conhecidos acessórios. Além disso, cada jogador terá que desenvolver sua própria técnica de arremessar as sementes, o que exigirá do mesmo mais atenção, melhor coordenação motora, maior interatividade como participante, o que sem dúvida trará mais diversão e atração à brincadeira.

Criando mais Atividades – Jogo da Memória
Outra atividade que podemos improvisar com materiais novos ou alternativos são os chamados jogos de memória. Nessa categoria de atividade podemos criar as mais variadas brincadeiras, usando materiais simples tais como, papelão usado recortado em quadrados, tampas de refrigerantes, embalagens de ovos, objetos de qualquer natureza, etc.

Podemos ainda alterar um pouco a brincadeira substituindo o tradicional modelo de formação de pares iguais ocultos, para, por exemplo, a formação de palavras, de grupos de cores, figuras e suas silhuetas, nome do objeto formando par com a respectiva ilustração, partes de um objeto que complementa outro, palavras em inglês formando par com a tradução, objetos que foram colocados fora de ordem, etc. Uma atividade desse tipo, se bem explorada, pode render excelentes resultados quase sem custo algum, exceto pela mão de obra.

Criando uma Atividade sem Custos
Podemos também sem custo algum, a não ser o próprio material didático, trabalhar de forma bastante eficaz a criatividade da turma, pedindo-lhes para que, dado um problema qualquer, apresentem de forma escrita sua própria solução. Isso desenvolve a atenção, a clareza de expressão, a leitura e a escrita, a capacidade de lidar com problemas e tantas outras qualidades onde o raciocínio emocional e seu oposto, a lógica, atuem de forma conjunta.

Exemplo: Poderíamos perguntar para uma turma: “Como vocês agiriam se precisassem alimentar dez pessoas e só tivessem alimentos para a metade delas?”. O educador pode ajudar dando pistas para que cheguem a uma solução, e assim por diante.

Os problemas apresentados podem ser de qualquer natureza, e tão diversos quanto seja a criatividade do coordenador. A própria atividade pode sugerir outras derivações desta, etc.

Como Definir o espaço e Selecionar os Materiais
É importante planejar o ambiente onde serão realizadas as Atividades. Desse modo, quando em local interno, a sala deve ser dividida em áreas bem definidas. Os espaços devem estar marcados de forma clara e visível, com móveis, paredes, estantes, divisórias, marcações no chão, etc.

Os nomes das áreas, na medida do possível, devem ser compreensíveis às crianças. Assim, por exemplo, deve-se usar a expressão “área de subir e descer”, e não “área de atividade de coordenação motora”.

Áreas de atividades relacionadas devem ser colocadas lado a lado. Elas devem ter espaço suficiente para uma livre circulação das crianças.

Os Materiais de Uso aberto ou geral encorajam a criatividade e a procura pelas soluções mais inteligentes durante o trabalho para a resolução dos problemas.

E quais são os Materiais de Uso aberto ou geral?
Os materiais de uso aberto são aqueles que podem ser utilizados de várias maneiras. Blocos, papel, cartões, tubos (o miolo de rolos de papel, tais como guardanapos e higiênicos), palitos e caixas de fósforo, cola, fitas adesivas transparentes e opacas, caixas de todos os tamanhos, pedaços de madeira recortados em pequenos blocos, cordões coloridos, são alguns exemplos de materiais de uso livre.

Devemos incluir nessa categoria os Legos e outros jogos de montar com os quais as crianças possam construir objetos de acordo com sua imaginação.

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