terça-feira, 4 de março de 2014

LIÇÃO VII - Aprendendo a Diferenciar o Inútil e o Útil
"O Princípio da Dúvida é como uma porta aberta para a autocognição..." - Anônimo

O Excesso de Informação e o Paradoxo do aumento de Desinformados e o Drama Existencial Humano.
Leitor com Livro
Nesta última parte, faremos uma espécie de reflexão criativa, e poderemos aprender a tirar proveito do excesso de informações que mais confunde que informa. Nunca, em nenhum outro tempo tivemos tanta informação e recursos didáticos disponíveis como agora. O problema é como fazer bom uso de tudo isso e o mais importante, como saber diferenciar o que é inútil e o que é útil. 

Outra questão que merece destaque é a força da mídia, muitas vezes criando verdadeiras aberrações e deformidades sociais rotuladas de coisas úteis. Cumpre ao educador ou pai ficar atento a tudo isso, pelo menos aqueles que estão verdadeiramente interessados na correta instrução e da educação dos seus alunos ou filhos. 

Lembrando sempre que, nossa principal fonte de informação e esclarecimento ainda é a mídia, seja ela impressa, radiofônica ou televisiva. Mas a mídia é seletiva, deforma, condiciona, oculta, tenta limitar o limiar de informação do seu cativo público, uma vez que sua intenção deliberada é conduzir todos para onde lhes apontam os interesses comerciais. 

Ela não tem o propósito de informar, esclarecer, criar indivíduos pensantes e livres para escolher, mas antes disso, conduzi-los pelas rédeas, induzir padrões alienados de comportamento, por isso mesmo, quanto maior o nível de ignorância e falta de esclarecimento, melhor. 

Desnecessário é dizer que o excesso de informação não quer significar que precisamos de tudo isso, ou que sejam importantes, como querem nos fazem crer esses mesmo meios de divulgação, a poderosa máquina publicitária, enfim, os meios encarregados de torná-las necessárias, quando, na maioria das vezes, não o são. 

Mas afinal de contas, qual é o papel da máquina publicitária especializada em criar necessidades onde não há, senão o de criar a obrigatoriedade de consumo dentre os incautos ou não pensantes, de condicionar multidões e nações inteiras, para então escoarem seus produtos, doutrinas, idéias ou ideais? 

O Papel do Verdadeiro Educador ou Pai
Na vida de um pai ou educador é necessário uma urgente avaliação daquilo que é realmente importante para um viver sensato, coerente, mas não de acordo com preceitos sectários de qualquer natureza, que mais criam caos que soluções. Aprender ainda a separar aquilo que apenas surgiu como uma idéia passageira de consumo, um culto à inutilidade, uma estratégia para criar mais confusão e uma mesologia patológica repleta de sociopatas. 

Pense bem, eles não desejam um mundo perfeito, afinal de contas, nesse cenário não haveria espaço para eles e suas bugigangas, ideologias ou projetos mágicos, que além de não resolverem as questões existenciais do homem, só criam mais problemas, dependências, alienação e conflitos. 

Um pai ou educador deve estar atento às suas obrigações, e aprender a separar o útil do fútil. Deve orientar filhos e alunos para se tornarem indivíduos questionadores, críticos conscientes, que não se deixem facilmente induzir por necessidades irreais, causa da maioria das nossas frustrações. 

Cultivar desde cedo em nossos filhos e alunos o senso de direção, significa dar-lhes orientação para se tornarem livres. Livres da obediência cega às autoridades que ditam as regras de consumo, de pensamentos deformados, de ideologias, de comportamentos sociais bizarros. A vida não é um modismo, muito menos podemos limitá-la ao sucesso profissional, ou às relações pessoais, menos ainda em seguir as tradições, ela é tudo isso e mais a absoluta clareza de consciência, o sentimento que nos torna justos sem precisar seguir protocolos, regras sociais ou preceitos religiosos, ou qualquer guru sectário que se autointitula dono da verdade. 

O respeito e a consideração, sem a obrigatoriedade de que os jovens devam se submeter a uma disciplina forçada, deve ser a principal motivação de um preceptor atento ao seu verdadeiro papel. 

Devemos sempre nos lembrar que um instrutor consciente de sua função, que se preocupa e tem no ensino a sua vocação, não tem opiniões pessoais, ele sempre demonstra fatos, pois diante de fatos, refutações, conjecturas e debates especulativos serão sempre inúteis."De que adianta possuir uma vasta e rica cultura sem o devido discernimento?" - Anônimo


Refletindo Racionalmente Sobre Minhas Reais Necessidades
Leitor com Livro
Como educador ou pai, o computador será para nós apenas uma ferramenta auxiliar em nosso trabalho. Sua função é ajudar a educar, facilitando em alguns casos o exercício da função de orientador, e nunca criando mais confusão ou desorientação.

Mas como podemos usar o computador para nos auxiliar, e quais são de fato os recursos necessários, aquele mínimo necessário para começar ou dar continuidade ao trabalho?

O certo é que Quase nunca iremos precisar daquilo que o mercado diz que precisamos. O mercado vive do consumo exagerado, da venda de itens que não servem aos nossos propósitos, servindo tão somente para saciar sua crescente e incessante fome de lucro, o que quer dizer que farão de tudo para escoarem aquilo que sai de suas linhas de produção, sendo ou não coisa útil.

Mas para enfrentá-los da forma adequada, precisamos saber exatamente o que nos atende, não aquilo que homologam como necessidades. Por isso os princípios da dúvida e do esclarecimento são imprescindíveis.

Afinal de contas, do que precisamos para consecução de nossas tarefas? No mercado corporativo é assim, primeiro criam um produto, depois nos convencem de que eles são absolutamente necessários ao nosso viver, à nossa profissão, ao nosso lazer, à nossa felicidade.

Para isso eles contam com uma sofisticada, bem estruturada e competente máquina publicitária, que como ninguém conhece o comportamento humano. Sabem como impressionar as pessoas, sabem criar novos consumidores e cativar os antigos. Sabem manipular suas emoções, e mais importante, conhecem em profundidade quais os mecanismos necessários para que suas abordagens sejam sempre eficientes.

De verdade precisamos apenas de um computador que nos permita acessar a Internet, que possa ler nossos CDs, que nos permita ler e escrever e-mails, rodar programas simples, tais como planilhas de cálculo, editores de texto, jogos educativos e programas básicos para desenhos, e isso, os modelos simples e baratos são capazes de fazer com folga.

De que tipo de Computador eu Preciso?
Cartoon
Sendo pai ou educador, sem pretender produzir filmes ou transformar meu computador em um estúdio para produção de músicas ou vídeos profissionais, preciso do mais simples. Daqueles tudo em um, aqueles chamados pelos fanáticos em informática de máquinas de amadores, ou equipamentos on-board, que consistem de equipamentos com apenas uma placa principal, ou mãe, onde todos os componentes necessários ao seu funcionamento já estão incorporados.

São os modelos mais baratos. Possuem pelo menos um monitor de vídeo de 15 polegadas, e um gravador de CD/DVD. Os demais componentes tais como, modem ou cabo de rede para acessar a internet, placa de som e vídeo, disco rígido, teclado e mouse já estão incluídos nesses modelos básicos. Uma impressora simples e talvez um aparelho de scanner (para importar fotos ou desenhos para o computador) ou para simplificar apenas uma Multifuncional, não são itens supérfluos.

Não precisamos de microfones, de teclados e mouses sofisticados e sem fio ou infravermelho, ou controles remotos e coisas assim, que apenas encarecem sem acrescentar muita coisa útil.

E exceto em casos excepcionais e bem pontuais, também não precisamos de super placas de vídeo 3D, ou monitores de plasma, LCD ou LED de 24 polegadas, ou ainda placas de som com 64 canais, como quer nos fazer crer a indústria do consumo exagerado. 
"Sem o desejo de mudar não é possível aprender..." - Anônimo

A Internet como Ferramenta Didática – Uma Idéia de Atividade
Leitor com Livro
Eis uma Atividade Didática que podemos realizar com a ajuda da Internet, cujos benefícios para nossos educandos serão compensadores.

Dê um tema e peça para que procurem na Rede dois artigos que retratem pontos de vista antagônicos para essa mesma questão. Aprenderão na prática sobre diversidade, sobre antagonismo, sobre divergências, por isso mesmo se tornarão mais críticos quando ao hábito corrente de decidir após consultar apenas uma fonte.


As Armadilhas da Internet
Cartoon
É inegável a utilidade na Internet em nossas vidas, mas a crença de que só existem pessoas bem intencionadas e que farão de tudo para construir um mundo melhor a troco de nada, convenhamos, é imaturidade.

No mundo real existem os bem intencionados e os maus. Outra coisa, se há um mundo de informações disponíveis para qualquer tipo de uso, não devemos acreditar que tudo é coisa útil. Por isso o senso critico cada vez mais é imprescindível.

Assim, a primeira e mais importante coisa nesse mundo repleto de informações é aprender a separar o útil do inútil, a realidade da fantasia.

Ali é um mundo livre onde qualquer um pode publicar o que bem entende. Um mundo onde todas as formas expressões, não éticas e éticas, são permitidas e convivem lado a lado; um mundo onde as mentiras proliferam, onde os absurdos ganham notoriedade, onde as verdades de fato, podem nunca aparecer.

Sendo um mundo onde a maioria das fontes estão ocultas pelo direito da livre expressão, qualquer informação não avaliada de forma sensata e crítica, pode causar mais danos e confusão do que benefícios. Daí a importância de uma avaliação prévia da integridade dos meios divulgadores dessas informações.

É nesse momento que o bom senso deve prevalecer sobre a emoção, onde o discernimento se faz necessário, onde o questionamento pessoal deve se sobrepor à opinião da maioria que se recusa a pensar, a turba que simplesmente prefere seguir a onda da vez como cegos ávidos por uma fonte de luz.

É um mundo novo, onde os boatos soam como verdades, onde a falta de reflexão pessoal pode nos fazer cair em perigosas armadilhas, e tudo isso pode se transformar numa fonte de transtornos e problemas sérios, de onde o usuário imprudente sairá perdedor.



"Inteligente não é aquele dono de vasto saber e cultura, mas aquele que sem cultura possui grande saber..." - Anônimo

Cuidado com as Vantagens Exageradas
Leitor com Livro
Não existiriam exploradores da boa vontade se não existissem os incautos, e não existiriam enganadores se não existissem aqueles que são enganados, e estes, infelizmente, na maioria das vezes somos nós. Zelo, bom juízo e muito senso crítico, nesse novo mundo, nunca serão exagerados, mas antes disso, será sinônimo de prudência e inteligência. 

Como pais e educadores não podemos nos desviar de nosso propósito que é educar corretamente. Mas, isso não podemos fazer se tivermos em mãos informações erradas, falsas demandas, mentiras habilmente mascaradas como verdades pela poderosa e competente máquina de indução dos meios de comunicação. Basta uma estratégia publicitária bem elaborada, patrocinada por uma máquina que como ninguém conhece a psique humana, e logo um absurdo se transforma em uma necessidade, em algo do qual supostamente não podemos, nem devemos, abrir mão. Fácil é condicionar uma mesologia, difícil mesmo é remover de nossas mentes tais hábitos e manias. 

Vantagens absurdas que chegam à nossa porta vão exigir de nossa parte uma reflexão maior. Se parece tão vantajoso, por que o próprio autor não usufrui dos seus benefícios? Por que deseja compartilhar com desconhecidos sua fórmula da fortuna fácil? São as campanhas de arrecadação para quase tudo, as pirâmides financeiras que prometem vantagens absurdas sem nenhum esforço ou capacitação, e tantas outras abordagens, que, infelizmente, ainda encontram tolos dispostos a se tornarem a próxima vítima. 

Outra reflexão que julgo importante são os falsos boatos e a ação dos aproveitadores inescrupulosos, que sempre estão dispostos a enganar os incautos. E mais uma vez usam e abusam do apelo emocional para enganar os ingênuos, e no final de tudo isso, alguém sairá perdendo e outros levarão vantagem. Mais do que nunca, ter senso crítico é a regra básica. 

Usando a internet de Forma Racional
Cartoon
Como não temos a pretensão de induzir ninguém a pensar de modo direcionado, ou incutir opiniões de qualquer natureza, vamos nos limitar a relatar apenas fatos, eventos estes que poderão ser facilmente evidenciados em nosso dia a dia, pois um fato sempre será uma evidência irrefutável, a assim deve ser, sem depender de opiniões de quem quer que seja. 

Sem dúvida como fonte de pesquisas, temos então ao nosso dispor o maior repositório de informações de todos os tempos, desde que o homem aprendeu a caminhar ereto sobre duas pernas. 

Eis então o nosso primeiro e grande problema, a diversidade de opiniões sobre uma mesma coisa. A princípio não há nenhum problema, mas a partir de um momento que precisamos de uma referência autêntica, por qual dessas fontes devemos optar? 

Isso é verdadeiro especialmente para os relatos dos eventos históricos, onde as contradições são quase uma regra e não uma exceção. E com o avanço das modernas técnicas de pesquisas históricas e mesmo científicas, as fontes de onde podemos tirar informações sobre um mesmo tema se diversificam, os mitos se desmistificam, conceitos são reformulados, o que pode causar mais confusão. Enquanto estávamos limitados às escassas fontes que nos traziam os livros, não havia problemas, mas e agora diante de tamanha diversidade? 

Assim, sendo eventos bem documentados, cuja referência sejam fontes conceituadas, o bom senso deverá ser nosso guia, e certamente iremos optar por estas. Mas, como saber se as fontes são bem conceituadas, idôneas, se possuem a credibilidade necessária para que possamos usá-las em nosso trabalho, ou mesmo aprender com isso alguma coisa útil? 

Mais uma vez, o bom senso crítico deverá prevalecer. Não podemos nos agarrar aos sensacionalistas, aos defensores intransigentes de pontos de vista pessoais. Uma fonte histórica não opina sobre fatos, e quando o faz, deixa isso bem claro e tem o cuidado de separar as opiniões pessoais dos eventos notadamente históricos que se presta a relatar. 

Um evento histórico não deve ser algo abstrato, sujeito a inúmeras versões e interpretações, deve antes estar amplamente amparado em fontes documentais autênticas, se possível com cópias dos documentos originais referenciados em suas explanações. Referências complementares, fontes adicionais que confirmem, ou pelo menos tentem autenticar tais eventos, baseados obviamente nas evidências conhecidas, devem necessariamente acompanhar o material consultado.



"Não existe forma mais competente e profunda de instrução, que o exemplo pessoal daquele que se diz docente..." - Anônimo

A Estratégia do Desperdício – Por que Consumimos além do Necessário?
Leitor com Livro
Assim como temos uma indústria de bens de consumo cujo objetivo é condicionar novos e antigos consumidores a comprarem seus produtos, temos também um segmento dessa mesma indústria que se encarregará de torná-los obsoletos por decreto, vendendo para nós a idéia de que precisamos reciclar nossas necessidades, mesmo que isso não seja verdade. 

É a indústria dos ideais instituindo às coisas abstratas um status de bens de consumo, como já o fazem com as coisas materiais. Portanto vendem idéias, crenças, comportamentos bizarros, e tudo isso habilmente disfarçado de necessidade. 

E se temos um aparelho celular que se presta apenas a fazer e receber ligações telefônicas, logo seremos vistos como ultrapassados, como conservadores, como contrários ao progresso. Por isso mesmo criaram o conceito do status pessoal a partir das posses materiais. 

Assim, possuir um aparelho de última geração, dotado de recursos dos quais nunca iremos precisar, por convenção, tende a refletir o tamanho da importância e um papel social de destaque do seu feliz dono dentro daquela mesologia. 

Outra coisa que merece nossa atenção é a Estratégia da Criação de Falsos Problemas. Funciona assim: Primeiro eles criam um falso problema e depois se apresentam como portadores da solução. Mas não se trata de um problema qualquer, mas de uma questão que nos farão crer tratar-se de uma necessidade básica, algo do qual não podemos abrir mão. 

Por fim, irão nos convencer que somos nós que temos o poder de decisão, de que temos um livre arbítrio e um discernimento que nos capacita a tomarmos a decisão certa, desde que isso seja, claro, optar por consumir, ou nos identificarmos com aquela causa. 

Aprendendo a Conviver com a Estratégia do Desperdício
Cartoon
Num mundo de consumo irrefletido, onde primeiro compramos e só depois discutimos a utilidade, onde o excesso de informações acaba por criar um indivíduo mais confuso que esclarecido, mais ansioso, mais apressado, insatisfeito por excelência, sempre na expectativa de que soluções mágicas vindas das prateleiras das lojas resolvam seu problema existencial, num cenário dessa natureza, de nossa parte, algo precisa ser feito. 

Eles pensam por nós, e como animais amestrados apenas seguimos seus passos, e o mais importante, somos convencidos de que temos vontade própria, liberdade e clareza para decidirmos nossos destinos, quais são nossos objetivos e proposta existencial. 

Um educador ou pai, que pretenda orientar de uma forma sensata seu aluno ou filho, deverá abrir mão das suas preferências pessoais, e deixá-los livres para escolher as suas próprias a partir do seu temperamento, conforme sejam suas predisposições naturais, mas isso pode não ser uma tarefa fácil. Afinal, todos nós temos opiniões e gostos pessoais, que na maioria das vezes, acabamos por incutir, de forma indireta ou direta, como sugestões subliminares, aos nossos educandos. 

Não somos obrigados a consumir nada além daquilo que seja essencial ao nosso viver, e essa lista de necessidades, se refletirmos bem, é bem curta. Mas num mundo onde o consumo se tornou a razão ou o objetivo de vida da maioria das pessoas, novas e inúteis necessidades são criadas numa velocidade apenas menor que nossa ânsia por correr às lojas para comprar o modelo mais novo, do que quer que seja.




LIÇÃO VI - Usando o Computador para Criar Atividades Didáticas - Uma Abordagem Básica
"Para a concretização de uma ideia, apenas Boa vontade não é suficiente. Ação é a chave de tudo. Boa vontade sem ação é como uma construção sem chão..." - Jon Talber

Introdução
Computador
O computador pode, se bem utilizado, tornar-se uma ferramenta excepcional na criação de atividades didáticas. Mas, como toda ferramenta auxiliar, é preciso conhecer suas potencialidades, o que ele tem para nos oferecer.

Um orientador não tem a obrigação de se tornar uma autoridade no uso do computador, mas ao menos deve conhecer o básico, e não apenas o ato de ligar e desligar. Mas, qual seria a função do computador nas mãos de um pai ou professor? Vejamos para que primariamente ele serve.

Sabemos o que é uma atividade didática ou recreativa, afinal existem tantas que mal conseguimos enumerá-las. Ao longo dos anos centenas foram criadas, readaptadas e modificadas, e tudo isso de acordo com a cultura ou situação aonde a mesma viesse a ser aplicada. Refletindo um pouco mais, vamos ver que muitas dessas atividades, apesar de ainda serem utilizadas, mesmo levemente modificadas, se mantêm fiéis à época e materiais com as quais foram concebidas.

Por exemplo, o recurso de desenhar e pintar, que antes carecia de papel, lápis e tinta, sempre se mostrou, em todos os tempos, uma das mais eficazes e com maior potencial de cativar os participantes. Desnecessário é falar sobre os benefícios didáticos dessa milenar prática. Veremos como, dentre outras coisas, o computador pode, por exemplo, ampliar este potencial.

Conclusão:
Com imaginação e boa vontade, mesmo que não seja uma autoridade em informática, pais e educadores podem ter no computador um respeitável aliado para apoiar sua prática docente, transformando suas aulas e exposições em divertidas e atraentes aventuras lúdicas.

Outra coisa que julgamos importante: Não precisamos de um equipamento sofisticado e de última geração para usarmos como auxiliar do nosso magistério, uma máquina simples, com apenas os recursos básicos disponíveis, isso é mais do que suficiente.

Lembre-se, o equipamento é apenas um auxiliar na tarefa de conduzir nossa prática didática. Quem fará a diferença é o educador, sua abordagem e criatividade, seu interesse, seu empenho em praticar de forma elucidativa tudo aquilo que até o momento do uso era só teoria. 
"Motivação é uma condição que ocorre antes da ação e se potencializa durante o ato..." - Anne LUcille

Para que Serve o Computador
Computador
Sem pretender detalhar todo potencial e inegável utilidade do computador, que em poucos anos se transformou, de um sofisticado instrumento restrito às áreas de pesquisa científica, a um item de necessidade básica em todo lar ou sala de aula, aqui vamos tratar apenas do seu uso preliminar como ferramenta paradidática e autocognitiva.

Em nosso caso particular, ele nos permitirá criar aulas mais dinâmicas e interessantes, uma vez que seu apelo junto às crianças é muito grande. Podemos com pouco ou nenhum recurso, criar material didático, não para um ano letivo, mas para vários. E dentro dos limites do bom senso, já que tudo em excesso é nocivo, podemos alternar seu uso às práticas docentes normais. Ele será apenas um ingrediente de forte apelo emocional para todo o grupo, e poderá ser usado até como recurso estratégico, quando quisermos, por exemplo, integrar um grupo mais agitado, ou disperso, etc.

Sua aplicabilidade é tão vasta que, pela primeira vez, podemos afirmar que seu uso está limitado apenas pela criatividade do homem. Mas, ele de modo algum poderá um dia substituir um mestre educador, será no entanto, o complemento ideal, o melhor amigo deste, quando bem explorado e utilizado.

Exemplos Simples de Utilização:
Normalmente para nós, a palavra simples quer significar algo sem valor, algo não eficaz, uma coisa de baixa qualidade, pois fomos erradamente condicionados para seguir sem questionar a chamada onda da sofisticação. Por isso mesmo pagamos um alto preço por coisas que não necessariamente se revertem nos benefícios prometidos a partir da suposta “alta qualidade”, e que acabam por não se converterem em bons frutos para nosso repertório cognitivo ou lastro de aprendizado.

Aula de Coordenação Motora
Sabemos que a prática da coordenação motora, desenvolve no aluno muitas habilidades além da simples capacidade de saber manusear um objeto qualquer. Desenvolve sua noção de espaço, estética e lógica visual, criatividade, suas habilidades tácteis, sua autoconfiança, seu senso de direção, revela sua personalidade em muitos aspectos, temperamento, revela potenciais ocultos normalmente invisíveis aos olhos dos educadores, etc.

Na prática rotineira, no dia a dia de um educador, sabemos que tal atividade, não é uma das preferidas da turma. Mas com o advento do computador, a coisa muda dramaticamente, e pode se tornar uma das mais cativantes e disputadas tarefas da pauta escolar.

Precisamos de uma ferramenta simples que vem em todo computador. No Windows é um recurso já integrado ao sistema operacional e chama-se Paint ou Paintbrush. Na família Linux ele chama-se Tux-Paint, e pode ser encontrado no link:http://www.newbreedsoftware.com/tuxpaint/download/

Ambos são programas muito simples para desenhar e pintar formas geométricas ou abstratas, e outros objetos. Mas pode ser qualquer outro programa com as funções básicas de desenho e pintura.

Cada pai ou educador, para aprender a usá-lo, acreditem, não levarão mais que uma hora. Depois de encontrado no computador, ao acioná-lo, executá-lo é o termo correto, uma tela parecida com esta da figura abaixo irá aparecer.

Paintbrush

Como podemos ver, no painel à esqueDa da tela, existem vários objetos, que são na verdade botões de funções ou utilitários acionáveis a um clique do mouse. Tais utilitários são lápis, pincel, formas geométricas, lata de tinta, etc. No rodapé, vemos um painel com quadrinhos coloridos, e no centro da tela, um espaço vazio lembrando uma folha de papel em branco. 

E ele é exatamente isso, uma folha em branco pronta para desenharmos. Importante, para conseguir o efeito de tela cheia, como na figura, selecione a opção “IMAGEM/ATRIBUTOS” e determine o tamanho desejado, de acordo com a resolução do seu computador, como, por exemplo, 800x600, etc. 


"Motivação é uma condição que ocorre antes da ação e se potencializa durante o ato..." - Anne Lucille

Usando o Computador - Uma Atividade sem Custos - Aula de Coordenação Motora
Computador
Clicando com o mouse sobre o botão em destaque na figura, estaremos escolhendo o objeto pincel. Seguindo a seqüência numérica indicada na figura, vamos escolher a espessura do traço e a cor da tinta que terá este pincel.

Depois vemos alguns rabiscos no centro da tela, obtidos com este pincel. Para desenhar é simples. Basta deslocar o ponteiro do mouse para o centro da tela em branco, e segurando sem soltar o botão esquerdo, efetuar movimentos aleatórios com ele, como guirlandas, a exemplo da ilustração.

Terminado os rabiscos, solte o botão e o desenho estará feito. Repita a operação se desejar, como outras cores, e outras espessuras de traço. Vale a pena experimentar as demais opções.

Paintbrush

Desejando salvar este trabalho, digite CTRL+S, e siga as instruções que serão exibidas. Use sua imaginação, pratique com outros objetos, como as formas, as linhas, etc.

Desejando saber qual a função de cada um destes objetos, basta posicionar o ponteiro do mouse, a setinha, sobre o mesmo e um texto explicando sua utilidade será mostrado.

Desejando mais tarde rever o trabalho que foi anteriormente gravado no computador com a ajuda das teclas CTRL+S, pressione do mesmo modo as teclas CTRL+O, e siga as instruções que irão aparecer na tela.

Veja na página seguinte uma sugestão para uma aula simples, porém completa, de Desenho e Pintura. 
"O sensato vê sugestões como guias para sua qualificação; O estúpido vê sugestões como obstáculos para sua desqualificação..." - Anônimo

Uma aula simples de Desenho e Pintura
Computador
O processo irá ocorrer dentro do mesmo ambienta da tarefa anterior. Assim, depois de criar um novo ambiente de trabalho, ou seja, uma nova folha virtual em branco apertando simultaneamente as teclas CTRL+N, podemos começar a nova Atividade. 

Uma sugestão simples é desenhar formas geométricas diversas, tais como, quadrados, retângulos, círculos, formas ovais, todas sem preenchimento algum. Em seguida iremos pintar tudo com diferentes cores, conforme exemplo abaixo. 

Paintbrush

Observe que para conseguir o efeito sem preenchimento, a opção, ou função, destacada no retângulo azul, deve estar selecionada. 

Depois de preenchidas as formas, o que se consegue com aopção Preencher com a Cor, ou seja, o botão que tem o desenho de uma lata de tinta, o resultado pode ser visto, conforme a figura abaixo. 

Paintbrush

Outros efeitos devem ser testados. É interessante, por exemplo, o efeito Spray, para preencher áreas ou mesmo fazer traços. 

E assim, com poucos recursos, a não ser aqueles que já possuímos, podemos realizar aulas com grande apelo dentre os participantes, e de valor didático significativo. 

Dicas Finais
  1. Podemos usar o Paint ou outro programa da preferência do educador, para criar histórias, fazer pôsteres alusivos a algum evento imaginário, criar revistas conforme seja a criatividade de aluno, etc.
  2. O instrutor poderá contar uma história e em seguida pedir que os alunos interpretem a mesma, resumindo-a através de ilustrações.
  3. O instrutor poderá ver se assimilaram as formas geométricas ou outras, ou mesmo objetos simples, ou cores, pedindo que mostrem isso através de desenhos.

LIÇÃO V - Usando Apenas os Materiais Disponíveis
"A construção de qualquer coisa não começa com a ideia e sim com a vontade e determinação de fazer a diferença..."Lao Jorge

Introdução
Formas Geométricas
Uma das maiores dificuldades para a criação ou aplicação de uma Atividade ou Jogo é sem dúvida com relação ao material, isso devido ao custo muitas vezes elevado e até pela absoluta indisponibilidade do mesmo, fato que pode comprometer ou inviabilizar todo projeto. Nesses casos a substituição dos materiais disponíveis pode ser a solução.

No entanto, acreditamos que, não importa qual seja a Atividade Recreativa, é possível que possamos realizá-la com materiais alternativos. Na verdade podemos ir mais além e com um pouco de inventividade realizarmos toda tarefa sem material ou custo algum, exceto por aquele tempo gasto com a mão de obra.

Vamos tratar desse assunto nesse tema e aos poucos aprenderemos como muitas vezes o problema pode estar apenas em nossos preconceitos pessoais, nossa inflexibilidade e resistência às mudanças.

Uma observação Importante
Não existe Atividade perfeita, quer dizer, 100% acabada, por isso mesmo, conclua o projeto e coloque-o em operação. Os ajustes virão com a aplicação, com a análise dos pontos fracos e fortes, e até novas Atividades irão surgir a partir das correções que ocorrerão durante esse processo. Por isso, se tiver uma ideia, a melhor forma de testar sua viabilidade e repercussão é testando em campo e nunca apenas no interior de sua cabeça.

Conclusão:
Podemos adaptar a maioria das brincadeiras infantis para que possamos realizá-las com materiais reciclados ou sem nenhum material. É um mito acharmos que a qualidade didática da brincadeira ou atividade recreativa depende da sofisticação do material usado.

A Qualidade deve refletir no esmero empregado na elaboração do referido Desafio ou Jogo, no conteúdo paradidático implícito no projeto, no modo como iremos apresentá-lo aos nossos educandos.

Há uma lenda muito antiga que retrata exatamente o modo como podemos usar as circunstâncias, qualquer que seja, e dar a elas valor educacional de verdade. Dizia-se que um mestre de grande sabedoria, certa manhã, ao reunir seus alunos no pátio da escola para uma atividade onde seria trabalhada a atenção, disse-lhes apontando para um pequeno pássaro que cantava alegremente no jardim: “Quero que vocês digam o que pensam ao observar aquele pequeno pássaro cantando. Não precisam ter pressa, primeiro escutem com cuidado e depois vocês relatam, Esta é a atividade do dia.”

Como podemos ver, uma atividade pode ser criada a partir de qualquer situação, e se refletirmos da forma correta, teremos em mãos uma fonte tão rica e abundante de recursos para nossas aplicações que o processo de escolha ante tantas possibilidades pode se tornar o nosso principal problema. 
"A criança não precisa de conselhos que não possam ser comprovados pelo exemplo pessoal do educador.."Anônimo

Analisando uma Atividade e Escolhendo os Materiais para Uso
Formas Geométricas
Uma observação que se faz necessária agora é que muitas vezes não vamos precisar de material adicional algum além daqueles já disponíveis, tais como folhas de cadernos ou papel, para criar e realizar atividades recreativas de valor, e muitas vezes nem disso iremos necessitar.

Vejam em nosso site o artigo: “Ideias de Atividades Didáticas de grande valor educativo sem uso de material algum”.

Mas para aqueles processos onde os materiais são imprescindíveis, uma idéia interessante é criar um depósito para os acessórios destinados à uso em atividades recreativas. Esse depósito pode ser um compartimento ou um espaço dentro de uma sala. Deve então ser organizado por tipos de materiais, em prateleiras ou caixas devidamente rotuladas.

Eis alguns itens que podem ser utilizados como insumos. Esta lista são de materiais que podem ser reciclados e por isso sem custo algum. Por exemplo:
  1. Papéis usados diversos, tais como de embrulho ou embalagens de presentes, que podem ser utilizados para confecção de mosaicos, para encapar caixas dando-lhes um aspecto mais artístico, para confecção de bandeiras para feiras de ciências ou outras festividades, etc.
  2. Folhas de calendários de parede em cartolina ou papel groso, cujo verso pode ser utilizado para desenhar, para confecção de quadros de aviso, cartazes, fichas de identificação de vários tipos, como tabuleiros para jogos, etc.
  3. Folhas de papel impressas de um só lado, que podem ser utilizadas para confecção de blocos de rascunho ou para desenhar, ou mesmo para reutilização na impressão.
  4. Folhas de papelão de embalagens diversas que serão recortadas, para criar formas, tais como círculos, triângulos, quadrados, etc., e para outros fins;
  5. Revistas e Jornais usados para recortar figuras e para a confecção de tiras de papel, e outros recortes usados em várias atividades.
  6. Embalagens de isopor que acondicionam equipamentos eletrônicos ou outros utilitários domésticos, que podem ser utilizados para confecção de pequenos objetos, tais como tijolinhos e outras formas para jogos de montar, para criação de maquetes, e tantos outros projetos, etc.
  7. Caixas de isopor de embalagens de ovos ou frutas, que podem ser usadas para fazer recipientes usados em pintura, copinhos, etc.
  8. Tampas de plástico de cores diversas, como de refrigerantes, que podem ser usadas para jogos de tabuleiro, tais como damas, xadrez, jogos de memória, e muitas outras atividades.
  9. Roupas usadas que poderão ser recortadas em retalhos de diversos formatos, cores e estampas diferentes.
  10. Retalhos ou recortes de sobras de tecidos.
  11. Copos descartáveis de plástico ou papelão.
  12. Caixinhas de diversos formatos, tais como de sabonetes, remédios, perfumes, sapatos, brinquedos, fósforos, que podem ser usadas em quase todas as atividades, como para confecção de casinhas, de cenários, de maquetes, etc.
  13. Pedaços de madeira que poderão ser recortados em tamanhos e formatos diferentes para jogos de montar, para a construção de maquetes, jogos de tabuleiro, etc.
  14. Cotos de velas que poderão ser usados como uma cola simples improvisada, para confecção de pequenas figuras artísticas, etc.
  15. Palitos usados de fósforos e picolés, para jogos de montar, jogos de tabuleiro, construção de maquetes, etc.
  16. Pedrinhas de diversas formas, cores e tamanhos, os chamados seixos, para jogos de tabuleiros e muitas outras brincadeiras.
  17. Sementes de diversos formatos, tais como milho, feijões, e outros caroços.
"O mestre educador não tenta convencer ninguém de nada, ele apenas demonstra fatos, evidências concretas de suas exposições..."Jon Talber

Escolhendo os Materiais para Uso
Formas Geométricas
Por outro lado é necessário que também tenhamos um depósito de materiais novos, que podem ser obtidos com baixo orçamento e que podem servir de matéria prima para a construção, confecção, de outros itens.

Uma dica importante que julgamos apropriada é enfatizar que algumas vezes materiais novos podem ser sobras. Nas gráficas sempre há muita sobra de material. Eles consideram sobras as folhas grandes que não são adequadas para o tamanho dos seus projetos. Por isso mesmo algumas vezes podemos conseguir materiais de boa qualidade para uso em nossas tarefas fazendo uma pesquisa nesse tipo de comércio.

Eis uma lista parcial de materiais novos que devem fazer parte de nosso acervo logístico:
  1. Folhas de isopor de diversas espessuras e tamanhos, para confecção de tabuleiros, caixas, e um número sem fim de objetos.
  2. Folhas de papéis coloridos e brancos.
  3. Cartolinas coloridas e brancas.
  4. Cola branca e colorida.
  5. Tintas guache, acrílica, e pincéis.
  6. Tinta aquarela.
  7. Anilina de diversas cores.
  8. Papel ofício e papel jornal.
  9. Fita adesiva transparente e opaca.
  10. Grampeador, tesoura, etc.
  11. Copinhos e pratos descartáveis de tamanhos diversos.
  12. Ligas de borracha.
  13. Lápis hidrocor
  14. Lápis de aquarela.
  15. Lápis de cores.
  16. Lápis comum de dureza, maciez, variada.
  17. Massa de modelar.
  18. Giz de Cera colorido.
  19. Bolinhas de isopor de diversos tamanhos, etc.
  20. Ligas de borracha.
  21. Estilete.
  22. Lixas de unha.
  23. Palitinhos tipo de picolé ou outros.
Vamos detalhar na página seguinte uma atividade tradicional e os materiais empregados na construção da mesma, e a seguir vamos elaborar a mesma atividade com materiais alternativos. 

"Uma Atividade didática deve exercitar principalmente os músculos cerebrais..."Jon Talber

Mãos à Obra - Criando uma Nova Atividade.
Formas Geométricas
Nesse nosso exemplo, vamos criar uma Atividade baseada no tradicional Jogo de Damas, onde o material necessário seria um tabuleiro, um modelo comum encontrado em lojas de jogos. Dependendo da qualidade, tamanho ou material do qual o mesmo seja confeccionado, o custo pode até ser bastante dispendioso. Mas, supondo que no momento não temos como dispor desse material, ou por falta de recursos, ou por dificuldade em encontrá-lo no mercado, etc.

Num caso assim teríamos que improvisar com aquilo que temos em mãos. Podemos então usar material reciclado já disponível em nosso depósito de insumos. Desse modo, teremos o custo apenas da nossa mão de obra.

O tabuleiro poderia ser feito com papelão ou folhas de isopor. O traçado quadriculado onde as peças são posicionadas, estes poderiam ser desenhados e pintados com caneta, hidrocor, grafite, lápis de cor, giz de cera, guache, anilina, etc., e as pedrinhas substituídas por tampas de refrigerante, remédios, seixos, sementes, e assim por diante.

Podemos ainda diversificar criando novas atividades cuja natureza lúdica seja bem diferente desse jogo tradicional.

Detalhamento da Tarefa
Vejamos as figuras abaixo. Na primeira figura, vemos uma seta indicando um ponto de partida e no canto inferior direito um "X"indicando o ponto de chegada. O objetivo do jogo é simples. O jogador deve sair da casa inicial, assinalada com a seta e ir pulando de casa em casa, em qualquer direção, conforme mostram as setas dentro das casas na segunda figura, até chegar a casa no canto inferior direito assinalada pela letra "X".

Tabuleiros de Jogos

Desenvolvimento e regras do Jogo:
O orientador confeccionará vários cartões com perguntas. Pode ser sobre assuntos gerais ou versando sobre um tema específico que deseje explorar naquele momento, e depois irá colocá-los numa caixa ou saco plástico. O jogador só poderá avançar para a casa seguinte, aquela que ele escolher, se responder corretamente à questão que será retirada da caixa. Caso ele não acerte, a casa será anulada. E então será colocado sobre a mesma um cartão de cor vermelha. Isso informa que o jogador não mais poderá passar por ela, devendo então ele escolher outro caminho. Se o jogador ficar sem saída, pela quantidade de erros cometidos, cederá o lugar a outro jogador que reiniciará a partida. O Jogo pode realizado individualmente ou em grupos.

Também podemos fazer esta brincadeira usando operações matemáticas básicas, ou mais complexas, problemas de lógica, e para as crianças menores, identificação de figuras, cores, formas, nomes associados à figuras, objetos, etc. Durante o andamento da tarefa o educador pode dar pistas para facilitar o trabalho das crianças.

Essa atividade, que pode ser jogada também por equipes, é bastante versátil em sua natureza, e permite ao educador muitas variações e abordagens. Vence o jogador ou equipe que chegar ao objetivo percorrendo menos casas, ou cometendo menos erros.

Outra Atividade Improvisada.
Eis outro exemplo de uma brincadeira muito comum que podemos improvisar usando apenas os materiais disponíveis e reciclados, sem custo algum, e possivelmente teremos um diferencial que pode até valorizar e tornar ainda mais atraente a diversão.

Jogo de Bolinhas de Gude de Salão.
É o jogo de bolinhas de gude. Normalmente este jogo é adequado para ser realizado ao ar livre em chão de terra, mas que pode ser adaptado para ser feito em áreas internas, sendo necessário apenas uma superfície plana.

Assim, dispondo-se de uma área que pode ser um salão, uma sala, ou mesmo uma área de corredor, vamos substituir as bolinhas por tampas de refrigerante. O modo, a forma de arremessar, sempre com os dedos, não difere daquela já usada na brincadeira tradicional com as bolas de gude. O objetivo também é o mesmo, acertar as outras tampas assim como seriam com as bolinhas de gude. Desejando os jogadores que as tampas fiquem mais pesadas, pode-se enchê-las com cascas de laranja recortadas, argila, massa de trigo embebida em água, massa de modelar, miolo de pão, sabão em barra, etc.

Tampinhas de garrafa

Vide a figura acima. Na primeira figura vemos a tampinha vazia e na seguinte temos a mesma tampinha com enchimento. 


"Cada um aprende com seus próprios erros; mas também podemos fazê-lo a partir dos erros alheios..."Anônimo

Criando uma Nova Atividade através da Improvisação
Cachorro com prancheta
A improvisação de materiais, ou uso de novos, de um modo muito simples, pode transformar atividades já consagradas em novas.

Podemos por exemplo substituir um dado, aquele objeto quadrado com pontinhos prestos que é usado em muitas atividades recreativas, por sementes de feijão, ou outras. Vejamos como. Primeiro vamos pegar três caroços e cortá-los ao meio, conforme pode ser visto na figura abaixo. Então teremos seis peças que podem substituir os Dados. Eis a seguir como todo processo funciona

O aluno vai pegar as seis metades das sementes com uma das mãos e em seguida jogá-las sobre uma mesa, tabuleiro ou chão.Eis como o resultado deverá ser interpretado: As sementes com a parte escura voltada para cima representam um ponto.

Exemplo, cinco com casca para cima, é igual a cinco pontos, assim como seria considerado se fossem os Dados.

Grãos de Feijões

Este simples fato de trocarmos os Dados por sementes de feijão ou outra qualquer, dá uma nova perspectiva ao jogo ou a aquela atividade que tradicionalmente seria jogada com os já conhecidos acessórios. Além disso, cada jogador terá que desenvolver sua própria técnica de arremessar as sementes, o que exigirá do mesmo mais atenção, melhor coordenação motora, maior interatividade como participante, o que sem dúvida trará mais diversão e atração à brincadeira.

Criando mais Atividades – Jogo da Memória
Outra atividade que podemos improvisar com materiais novos ou alternativos são os chamados jogos de memória. Nessa categoria de atividade podemos criar as mais variadas brincadeiras, usando materiais simples tais como, papelão usado recortado em quadrados, tampas de refrigerantes, embalagens de ovos, objetos de qualquer natureza, etc.

Podemos ainda alterar um pouco a brincadeira substituindo o tradicional modelo de formação de pares iguais ocultos, para, por exemplo, a formação de palavras, de grupos de cores, figuras e suas silhuetas, nome do objeto formando par com a respectiva ilustração, partes de um objeto que complementa outro, palavras em inglês formando par com a tradução, objetos que foram colocados fora de ordem, etc. Uma atividade desse tipo, se bem explorada, pode render excelentes resultados quase sem custo algum, exceto pela mão de obra.

Criando uma Atividade sem Custos
Podemos também sem custo algum, a não ser o próprio material didático, trabalhar de forma bastante eficaz a criatividade da turma, pedindo-lhes para que, dado um problema qualquer, apresentem de forma escrita sua própria solução. Isso desenvolve a atenção, a clareza de expressão, a leitura e a escrita, a capacidade de lidar com problemas e tantas outras qualidades onde o raciocínio emocional e seu oposto, a lógica, atuem de forma conjunta.

Exemplo: Poderíamos perguntar para uma turma: “Como vocês agiriam se precisassem alimentar dez pessoas e só tivessem alimentos para a metade delas?”. O educador pode ajudar dando pistas para que cheguem a uma solução, e assim por diante.

Os problemas apresentados podem ser de qualquer natureza, e tão diversos quanto seja a criatividade do coordenador. A própria atividade pode sugerir outras derivações desta, etc.

Como Definir o espaço e Selecionar os Materiais
É importante planejar o ambiente onde serão realizadas as Atividades. Desse modo, quando em local interno, a sala deve ser dividida em áreas bem definidas. Os espaços devem estar marcados de forma clara e visível, com móveis, paredes, estantes, divisórias, marcações no chão, etc.

Os nomes das áreas, na medida do possível, devem ser compreensíveis às crianças. Assim, por exemplo, deve-se usar a expressão “área de subir e descer”, e não “área de atividade de coordenação motora”.

Áreas de atividades relacionadas devem ser colocadas lado a lado. Elas devem ter espaço suficiente para uma livre circulação das crianças.

Os Materiais de Uso aberto ou geral encorajam a criatividade e a procura pelas soluções mais inteligentes durante o trabalho para a resolução dos problemas.

E quais são os Materiais de Uso aberto ou geral?
Os materiais de uso aberto são aqueles que podem ser utilizados de várias maneiras. Blocos, papel, cartões, tubos (o miolo de rolos de papel, tais como guardanapos e higiênicos), palitos e caixas de fósforo, cola, fitas adesivas transparentes e opacas, caixas de todos os tamanhos, pedaços de madeira recortados em pequenos blocos, cordões coloridos, são alguns exemplos de materiais de uso livre.

Devemos incluir nessa categoria os Legos e outros jogos de montar com os quais as crianças possam construir objetos de acordo com sua imaginação.
"O mestre não apenas se preocupa com seus alunos, ele também sabe o que preocupa cada um deles..."Lao Jorge

Os Elementos Básicos de um Jogo ou Atividade
Material de Desenho
Um Jogo, uma atividade, qualquer que seja, pretende distrair seu praticante, nada, além disso, por isso algumas vezes chamamos a isso de passatempo. Mas, se pudermos tirar dessa distração algum proveito cognitivo, teremos encontrado o meio perfeito de educar, de instruir, de criar comportamentos sociais mais equilibrados, de construir uma forte e disciplinada psique em nossos filhos e alunos.

Um jogo deve ter mais ou menos os elementos que detalhamos abaixo. Entendemos que estes itens podem variar de acordo com a abordagem pretendida ou conforme o autor determine, mas, com os itens aqui apresentados, conseguimos até hoje, depois de mais de 20 anos de prática, realizar todas as tarefas que tínhamos em pauta inicialmente apenas como ideias.
  • Definição do tipo de Jogo ou Atividade, sua natureza, descrição, objetivo, etc.
    • Jogos de salão, ao ar livre, etc. Classificação de acordo com o objetivo pretendido. Isto é, se estimula ou desenvolve a Atenção, a Lógica, Noção Espacial, Coordenação motora, etc.
      1. São ainda, Jogos dramáticos – fingir cenas ou situações cotidianas.
      2. Construção – Usar materiais para fazer objetos, algumas vezes para fazer os Jogos dramáticos, outras vezes sem aplicação pré-determinada.
      3. Jogos de exploração – Explorar as possibilidades dos materiais e dos processos, dos ambientes, de situações, superar obstáculos, vencer desafios, etc.
      4. Jogos diversos – Jogos de tabuleiro, de cartas , de ação e outros jogos com regras.
    • Será preciso uma descrição detalhada de todos os aspectos referentes ao seu conteúdo, à sua aplicação, desenvolvimento, acompanhamento etc. Deve-se descrever também o número mínimo e máximo de participantes e o modelo para aferição de resultados.
  • Público alvo e faixa etária desse público bem definida
    1. Detalha-se à quais faixas etárias a Atividade está indicada, assim como, se pode ser jogada individualmente ou em grupo; se grupos mistos, heterogêneos, etc.
  • Regras claras de como executar.
    1. As regras de como jogar devem ser claras, tanto para os participantes quanto para o orientador que se encarregará de conduzir a atividade.
  • Relação de materiais.
    1. São os objetos necessários para o desenvolvimento da atividade. Isto é, brinquedos tais como, bolas de gude, corda de pular, bola tradicional, etc., para atividades ao ar livre, ou os itens para aplicações em ambiente fechado, tais como tabuleiros de damas, xadrez e outros.
    2. Também relacionamos os itens como cartolinas, lápis de pintar, tintas, pincéis, colas e outros acessórios dessa natureza, quando se tiver a pretensão de criar os próprios objetos que serão usados na brincadeira.
  • Ter um ou vários desafios a serem superados pelo jogador ou participante.
    1. Cada Atividade deve ter no seu escopo ou objetivo pelo menos um desafio, de preferência com proposta cognitiva, pois um dos principais fatores de motivação para os participantes deve ser a superação de obstáculos de qualquer natureza.
  • Ser capaz de prender à atenção dos jogadores, isso quer dizer, que seja agradável de jogar.
    1. Sendo uma atividade da qual os participantes gostem, certamente que terá maiores chances de êxito e durabilidade.
  • No caso dos didáticos, objetivo educativo bem claro, meios de aferir se os benefícios propostos estão
    1. sendo atingidos e versatilidade para adaptá-los a grupos heterogêneos, mistos, etc. Um meio de aferir se os objetivos propostos foram alcançados, é criar uma planilha simples com os seguintes tópicos: 
      1. Nome da atividade, duração, periodicidade, quantidade de alunos, horário da realização, nível de interesse antes e depois (pode-se ver isso pela atenção que a criança dá a atividade durante todo seu andamento).
      2. Deve-se também elaborar testes específicos. Por exemplo, se for uma atividade que estimule à alfabetização, este se presta a verificar se as crianças estão aprendendo ou não. Pode-se usar como modelo de aferição o tempo médio gasto com o método tradicional de alfabetização, em comparação com o novo. O nível de interesse pela leitura, a fluidez no interpretar dos textos, tudo isso também pode ser usado como medidas indicativas de que a atividade é eficiente ou se ainda precisa de ajustes"O mestre que não pensa antes de falar acaba por criar discípulos que falam sem pensar..."
        Jon Talber

        Mãos à Obra – Criando um Jogo usando os Elementos Básicos de um Jogo ou Atividade
        Material de Desenho
        Vamos então simular a criação de um jogo/atividade com fins didáticos, onde todos os elementos de um jogo estarão presentes, e complementando o escopo, também discutiremos um modo simples de aferir sua eficácia. 

        Eis o exemplo da criação de um Jogo simples, com todos os elementos já descritos anteriormente presentes. 
        1. Nome do Jogo: Objeto oculto ou misterioso.
        2. Tipo de Jogo: Jogo de tabuleiro
        3. Material: O tabuleiro pode ser apenas marcado no chão com giz, ou pode ser de cartolina, assim como os cartões. Os desenhos podem ser recortes de revistas ou impressos criados em computador. Também podem ser desenhados com canetas hidrográficas coloridas, ou outras.
        4. Ambiente: Ao ar livre, sala de aula, sala de reunião ou estar. 
          Tabuleiro de Jogo

        5. Descrição: Jogo composto por um tabuleiro quadrangular conforme figura ao lado, onde serão colocados pequenos cartões quadrados com ilustrações. As ilustrações podem ser substituídas por cores variadas. As ilustrações poderão ter motivos temáticos. Exemplo: Animais, objetos da casa, da escola, etc. A quantidade de cartões pode variar conforme a faixa etária dos participantes, ou nível de dificuldade pretendido.
        6. Número de participantes por vez:De 1 a 6. Pode ser jogado aos pares. Crianças maiores poderão jogar sozinhas e as menores com o apoio do orientador.
        7. Objetivo: O participante deve descobrir pelas pistas do orientador, que figura foi removida do tabuleiro. Mede-se assim o nível de atenção e a qualidade da memória do jogador assim como sua capacidade de compreender e seguir as pistas dadas.
        8. Forma de execução: As ilustrações em cartões serão colocados sobre o tabuleiro virados para cima, de modo que se possam ver os desenhos. Pode-se iniciar com 4 quadrados e ir aumentando de número à medida que o nível de dificuldade do jogo cresce. O orientador então pede para que fechem os olhos removerá uma figura e dará a pista para todos. Por exemplo, sendo a figura de um carro, o orientador pode dizer: "Esse objeto ou coisa, serve para transportar pessoas." Desejando tornar mais difícil a pista ele pode dizer: "É uma coisa que polui as cidades, usa gasolina, tem rodas, etc."
        9. Variações: Ao invés de retirar uma figura, pode-se acrescentar uma outra que não estava presente antes. Pode-se ainda pedir que as crianças escolham uma figura e elas mesmas dêem as pistas para que o orientador descubra qual foi. Isso certamente vai aumentar o nível de interesse delas pelo jogo e fazê-las se sentirem mais inseridas na brincadeira e confiantes. Pode-se ainda, através de pistas, pedir para que elas descubram sobre qual figura o orientador está falando, sem que ela seja retirada do tabuleiro. Nesse caso as pistas podem ser progressivas. Por exemplo, ele fará um comentário, referindo-se a uma bola: “Ela não é quadrada...”. Pode-se depois ir acrescentando mais informações: “também não é um triangulo; é vazia por dentro; pode ser de plástico, de couro, tem ar dentro, é usada em modalidades esportivas...”, etc.
        10. Benefícios esperados da atividade: Desenvolver o nível de atenção e concentração, observação, discriminação visual, organização, construção da memória, capacidade lógica e dedutiva, etc. Com o despertar da atenção a criança se torna mais confiante e segura de seus atos. A prática da lógica vai lhe proporcionar a capacidade de concatenar ideias e resolver problemas complexos. Como podemos ver, os benefícios são muitos, mesmo sendo apenas uma atividade bem simples.
        11. Modo de avaliação: Não deve haver a intenção de competição entre os participantes, por isso o orientador deve criar critérios onde eles não se sintam, nem superiores, nem inferiores, uns diante dos outros. Deve então, cuidar para que as crianças sempre acertem e os critérios de avaliação serão subjetivos, ou seja, apenas o orientador saberá quem se destacou mais ou menos. Quem se destaca mais, será mais exigido e os demais serão “discretamente ajudados com dicas sutis” nas próximas tarefas. Isso dará aos participantes do grupo uma ideia de nivelamento e todos se sentirão iguais e confortáveis por estarem ali.


 LIÇÃO III - Aprendendo a Identificar os Materiais mais Simples para Uso
"Sabemos muito sobre nossos amigos, mais ainda sobre os ricos e famosos, mas, será que sabemos tanto sobre os nossos filhos?"Lao Jorge

Introdução - Avaliando o Processo de Criação
Cachorro com prancheta
Uma tarefa cuja solução seja de natureza mais complexa, paradoxalmente, na maioria das vezes, vai requerer uma abordagem mais simples para que possa ser solucionada. Podemos adotar o mesmo princípio como regra para a criação de Atividades Lúdicas com fins didáticos.

Boas e eficientes brincadeiras cognitivas com o uso de materiais baratos, ou com a substituição de outros, ou mesmo sem uso de nenhum material, deve ser uma das principais prioridades do docente.

Na criação de uma Atividade recreativa com fins educativos, primeiro devemos determinar seu objetivo, ou seja, o que pretendemos fazer com ela, qual seu valor didático, etc. Sem complicar muito, devemos ir direto ao nosso problema imediato que é o ato de educar através de Atividades Lúdicas.

A questão é: Se quero desenvolver uma atividade para trabalhar a Atenção, por exemplo, preciso aprender eu mesmo sobre o que é o Estado de Atenção. Sabendo o que é o Estado de Atenção, agora estou apto a criar uma atividade que melhor se adapte ao perfil dos meus filhos ou alunos.

Isso é muito simples, conhecendo bem o assunto que desejamos explorar, conhecendo seu mecanismo de ação, como atua no ser humano, sabendo como é a sua natureza, torna-se muito mais fácil entendermos como as pessoas interagem com aquele processo. Assim, poderemos criar modelos que vão direto ao ponto que desejamos abordar, e então através de uma atividade qualquer trabalhar ou desenvolver essa Habilidade ou Qualificação entre os educandos.

Essa regra se aplica para todas as coisas em nossa vida e não apenas para a criação de Atividades Didáticas.

Conclusão
Uma Atividade lúdica com fins didáticos deve, em primeiro lugar, ter seu objetivo claramente definido, depois disso deve-se procurar qual a melhor ferramenta que será usada para atingir essa meta. Vale salientar, que a orientação em forma de esclarecimento, de modo compreensível, sem redundâncias, com o único propósito de criar na criança um lastro cognitivo de valor, tudo isso é o principal objetivo da aplicação de uma Atividade educativa.

Isto é, através de brincadeiras, vou criar em meus filhos ou alunos condições psicológicas adequadas para que possam entender e enfrentar o mundo que eles têm diante de si. Isso significa que, se desejo despertar em meus filhos ou alunos o gosto pela leitura, devo primeiro entender a razão pela qual eles não gostam de ler, e então, em seguida, aprender sobre todas as técnicas que estimulam e potencializam esse hábito.

Se quero ser ainda mais eficaz em minha abordagem, devo refletir assim: "Como fazer para que entre as crianças daquele grupo haja interesse e uma motivação natural para que realizem com prazer aquela Atividade?" Posso simplesmente perguntar a elas, ou então estudar mais profundamente a coisa. Falaremos sobre o assunto adiante.

Entendendo um pouco mais sobre o processo de atuação de uma Atividade
Cachorro com prancheta
Vamos falar sobre Atividades recreativas que estimulem o desenvolvimento das coisas mais necessárias e importantes para a formação cognitiva, pelo menos a nosso ver, nas crianças ou mesmo adultos de qualquer faixa etária.

Claro que a abordagem usada com uma criança precisa de um pouco de adaptação para ter o efeito desejado também num adulto.

Quando se tornar um adulto a criança terá diante de si um mundo repleto de problemas. Não que os problemas não existam enquanto crescem, mas o fato é que fazemos questão de esconder delas essa realidade. A despeito dessa verdade, enquanto se desenvolve ou amadurece, ela vai precisar adquirir algumas habilidades ou qualificações, tanto a nível psicológico quando motor.

As habilidades que precisa desenvolver e cultivar são aquelas que permitam a ela ganhar autoconfiança, criar independência, e que lhe permita resolver sozinha todos seus problemas imediatos, à medida que forem surgindo em sua longa caminhada em direção à vida adulta.

É importante ressaltar que, desde cedo as crianças precisam ser instruídas, conscientizadas, da necessidade de resolverem seus problemas imediatamente, no momento em que forem surgindo. Problemas acumulados dificilmente são resolvidos, e um problema acumulado logo se transforma em muitos outros problemas.

Para isso, ela precisa desenvolver a Atenção e Organização, o Raciocínio Lógico, a Coordenação e Habilidade Motora e a Sensibilidade. Os demais estados como, Capacidade Visual, Artística, Emocional, e outros tantos, consideramos extensões, desdobramentos, destes já citados.

Criando uma Nova Atividade
Vamos agora supor que se queira trabalhar a Atenção e ao mesmo tempo o Raciocínio Lógico de um grupo de crianças. Podemos criar duas abordagens para uma mesma Atividade. Numa situação não usaremos material algum, enquanto que na outra vamos usar um mínimo apenas.

Nesse caso, podemos classificar do seguinte modo: Na primeira situação sem material, seria um estágio mais avançado da Atividade. Seria adequada para quando o grupo já tivesse adquirido habilidade ou capacidade de compreensão mais refinada; enquanto que no outro, com o emprego de material mínimo, poderíamos considerar como um estágio inicial ou preliminar.

Descrição da Atividade sem Uso de Material
Esta atividade, mesmo parecendo boba num primeiro momento, é de grande valor para se trabalhar, a Lógica básica e avançada, a Atenção, a Capacidade de Solucionar Problemas Complexos, a Organização, a Coordenação e concatenação de Ideias, a Criatividade, a habilidade para pensar rápido, etc., e ainda dará ao participante uma grande autoconfiança.

Aspectos Gerais:
O pai ou professor irá escolher uma palavra chave qualquer e a partir dessa palavra, pedirá a criança para criar uma história cujo final deverá necessariamente terminar com a palavra escolhida. Mas aí existem algumas regras. Por exemplo, a palavra não pode ser a mesma dada, e sim uma composição de uma ou mais palavras, que depois de agrupadas, formem o vocábulo chave.

Isto é mais ou menos assim: sendo a palavra sugerida, por exemplo, JOGADOR. Poderia a história culminar com as palavras, JOGA e DOR. Uma observação importante é que as palavras que formam o vocábulo chave podem não ser compostas pelos termos literais e exatos como no exemplo dado. Pode ser apenas pela entonação silábica da mesma, ou seja, composta por palavras que depois de pronunciadas, foneticamente, se pareçam com o vocábulo escolhido.

Exemplo:
Vamos escolher as palavras, MACACO e PNEU. Veremos duas histórias. Na primeira a palavra chave é formada com exatidão por dois outros vocábulos, e na seguinte, a palavra chave é formada por fonemas diferentes, mas cuja entonação, depois de pronunciadas, também forma o termo escolhido. Os exemplos a seguir servem como guia para o orientador usar como explicação, tutorial, para os alunos. Pode ser qualquer outro exemplo, este é apenas uma sugestão.

História exemplo 1:
Dois vocábulos exatos formam a palavra chave.
“Era uma vez uma menina muito pequena, cuja mãe se chamava MA. Um dia arrumando a casa, sem querer, sua mãe quebra um copo. Depois de varrer os cacos, a mãe já vai saindo, quando a menina vê um pedacinho de vidro num canto do chão e diz: MA, e apontando para o pedaço de vidro: CACO.”

História exemplo 2:
Duas palavras formam a palavra chave pela entonação.
“Numa aula de matemática, o professor se dirige a um aluno chamado NEO e lhe pergunta: Você fez o trabalho que pedi? Ao que o aluno responde: Que trabalho? E novamente o professor lhe diz: Aquele sobre o PI, NEO.” 

Obs. A palavra PI, se refere ao termo matemático específico.

Descrição da mesma Atividade com Uso de Material Mínimo:
No mesmo exemplo acima, o professor ou coordenador da atividade, pode usar cartões com algumas palavras pré-selecionadas escritas. Pode-se, por exemplo, criar grupos de cartões com nomes de animais, objetos pessoais, nomes próprios, etc. Os cartões podem ser numerados e colocados com o vocábulo virado para baixo. A seguir um aluno escolhe um número e a palavra chave será lida. Feito isso ele criará a história especifica. Ao invés de palavras podem ser frases pequenas, etc.

É claro que a ideia por trás disso não é uma disputa, mas um critério para avaliar a capacidade de concatenar ideias e as habilidades criativas de cada aluno. Com isso o orientador pode conhecer melhor a todos e trabalhar os pontos necessários para suprir eventuais deficiências, que a seu ver possuam.

Pode-se avaliar, por exemplo, a forma como a história é elaborada e conduzida, o modo de expressão do aluno, a facilidade e clareza para descrever o contexto, a criatividade, o vocabulário usado, a qualidade de sua entonação, o carisma, etc.

Este exercício cria no aluno ou praticante uma dinâmica de pensar absolutamente diferente do convencional, um pensamento mais ágil, maior capacidade de argumentação, uma capacidade de abstração bem desenvolvida sem dúvida.
"Cada um aprende com seus próprios erros; mas também podemos fazê-lo a partir dos erros alheios..."Anônimo

Criando uma Nova Atividade através da Improvisação
Cachorro com prancheta
A improvisação de materiais, ou uso de novos, de um modo muito simples, pode transformar atividades já consagradas em novas.

Podemos por exemplo substituir um dado, aquele objeto quadrado com pontinhos prestos que é usado em muitas atividades recreativas, por sementes de feijão, ou outras. Vejamos como. Primeiro vamos pegar três caroços e cortá-los ao meio, conforme pode ser visto na figura abaixo. Então teremos seis peças que podem substituir os Dados. Eis a seguir como todo processo funciona

O aluno vai pegar as seis metades das sementes com uma das mãos e em seguida jogá-las sobre uma mesa, tabuleiro ou chão.Eis como o resultado deverá ser interpretado: As sementes com a parte escura voltada para cima representam um ponto.

Exemplo, cinco com casca para cima, é igual a cinco pontos, assim como seria considerado se fossem os Dados.

Grãos de Feijões

Este simples fato de trocarmos os Dados por sementes de feijão ou outra qualquer, dá uma nova perspectiva ao jogo ou a aquela atividade que tradicionalmente seria jogada com os já conhecidos acessórios. Além disso, cada jogador terá que desenvolver sua própria técnica de arremessar as sementes, o que exigirá do mesmo mais atenção, melhor coordenação motora, maior interatividade como participante, o que sem dúvida trará mais diversão e atração à brincadeira.

Criando mais Atividades – Jogo da Memória
Outra atividade que podemos improvisar com materiais novos ou alternativos são os chamados jogos de memória. Nessa categoria de atividade podemos criar as mais variadas brincadeiras, usando materiais simples tais como, papelão usado recortado em quadrados, tampas de refrigerantes, embalagens de ovos, objetos de qualquer natureza, etc.

Podemos ainda alterar um pouco a brincadeira substituindo o tradicional modelo de formação de pares iguais ocultos, para, por exemplo, a formação de palavras, de grupos de cores, figuras e suas silhuetas, nome do objeto formando par com a respectiva ilustração, partes de um objeto que complementa outro, palavras em inglês formando par com a tradução, objetos que foram colocados fora de ordem, etc. Uma atividade desse tipo, se bem explorada, pode render excelentes resultados quase sem custo algum, exceto pela mão de obra.

Criando uma Atividade sem Custos
Podemos também sem custo algum, a não ser o próprio material didático, trabalhar de forma bastante eficaz a criatividade da turma, pedindo-lhes para que, dado um problema qualquer, apresentem de forma escrita sua própria solução. Isso desenvolve a atenção, a clareza de expressão, a leitura e a escrita, a capacidade de lidar com problemas e tantas outras qualidades onde o raciocínio emocional e seu oposto, a lógica, atuem de forma conjunta.

Exemplo: Poderíamos perguntar para uma turma: “Como vocês agiriam se precisassem alimentar dez pessoas e só tivessem alimentos para a metade delas?”. O educador pode ajudar dando pistas para que cheguem a uma solução, e assim por diante.

Os problemas apresentados podem ser de qualquer natureza, e tão diversos quanto seja a criatividade do coordenador. A própria atividade pode sugerir outras derivações desta, etc.

Como Definir o espaço e Selecionar os Materiais
É importante planejar o ambiente onde serão realizadas as Atividades. Desse modo, quando em local interno, a sala deve ser dividida em áreas bem definidas. Os espaços devem estar marcados de forma clara e visível, com móveis, paredes, estantes, divisórias, marcações no chão, etc.

Os nomes das áreas, na medida do possível, devem ser compreensíveis às crianças. Assim, por exemplo, deve-se usar a expressão “área de subir e descer”, e não “área de atividade de coordenação motora”.

Áreas de atividades relacionadas devem ser colocadas lado a lado. Elas devem ter espaço suficiente para uma livre circulação das crianças.

Os Materiais de Uso aberto ou geral encorajam a criatividade e a procura pelas soluções mais inteligentes durante o trabalho para a resolução dos problemas.

E quais são os Materiais de Uso aberto ou geral?
Os materiais de uso aberto são aqueles que podem ser utilizados de várias maneiras. Blocos, papel, cartões, tubos (o miolo de rolos de papel, tais como guardanapos e higiênicos), palitos e caixas de fósforo, cola, fitas adesivas transparentes e opacas, caixas de todos os tamanhos, pedaços de madeira recortados em pequenos blocos, cordões coloridos, são alguns exemplos de materiais de uso livre.

Devemos incluir nessa categoria os Legos e outros jogos de montar com os quais as crianças possam construir objetos de acordo com sua imaginação.