terça-feira, 4 de março de 2014

LIÇÃO 1 - INTRODUÇÃO

 LIÇÃO I - Pensando em Atividades
"Se o objetivo da vida não for o eterno aprender, a vida então se transforma numa sucessão de dias vazios, uma porta sempre aberta para o tédio..."Autores Anônimos

Introdução
Quadro Negro
Descobrir como ensinar da forma correta a filhos e alunos pode não ser uma tarefa muito simples. As centenas e planos teóricos que já foram criados com essa proposta refletem bem o tamanho do problema. Ocorre que numa criança pequena, onde os valores que consideramos éticos ainda não fazem parte de sua personalidade, onde cada criança no papel de aluno já chega de casa contaminada com suas manias e hábitos peculiares da mesologia onde vive, ensinar de forma produtiva e edificante para esse grupo pode, algumas vezes, deixar o educador desanimado. 

Assim, diante dessa realidade, alguns educadores tomam a decisão de desistir da educação capaz de modelar os valores éticos de cada um desses jovens e preferem repetir a “água com açúcar” que representa o modelo educacional vigente, cuja tarefa é simplesmente transferir o conteúdo das apostilas para aquelas mentes ainda sem um perfil psicológico definido. 

E ali todos aprendem sobre letras e números, ou sobre as lendas biográficas construídas especialmente para justificar algum evento social, ou tradição, ou qualquer outra coisa, e ali também se cria a condição necessária para que o aluno se torne um técnico em teorias, afinal de contas, isso garante que passe de ano, e escola e educador se contentam por cumprirem a pauta planejada pelas instituições oficiais encarregadas de definir o modelo instrucional. 

O Hábito da Competição
No modelo tradicional, do qual infelizmente não podemos fugir totalmente, os alunos se cientificam na “técnica de prestar exames” e logo se tornam especialistas no assunto. É disso que irão precisar para o ingresso no mercado de trabalho. Ali também se cria o hábito da competição e ambição por chegar sempre na frente dos demais[1]. E nesse contexto todos brigam entre si por um lugar ao sol, e ali não se ensina o valor da amizade. E como poderiam se todos são antagonistas, se todos disputam uma posição de destaque, um espaço que não comporta todos? 

E as falhas, os erros cometidos, uma condição natural para o desenvolvimento cognitivo de qualquer ser vivo dotado de cérebro são tratados como uma anomalia imperdoável, uma deformação capaz das mais temíveis sanções e castigos. Não se ensina que os erros, aqueles não intencionais, são os caminhos naturais para os acertos ou qualificação individual. 

O pai ou preceptor que se dê conta da importância do ensino, não tenta passar para as crianças ou alunos, seus próprios ideais de forma disfarçada ou sob qualquer alegação ou coação. Ao contrário, se verdadeiramente se preocupam com a educação, devem observar com cautela seu filho ou aluno, um por um, e aos poucos descobrir suas predisposições e habilidades inatas, os traços da cada temperamento, e de posse dessas informações ir administrando de forma mais inteligente o aprendizado útil para cada um. 

Temperamento e Vocação
Pontos fracos e fortes devem ser conhecidos. Sobre essa base se construirá um adulto coerente, sensato, disciplinado, organizado, ou o contrário de tudo isso. Como podemos erradicar uma falha que não conhecemos, assim como reforçar uma virtude ou qualidade? Uma vocação deve ser reforçada, potencializada, assim como um vício ou desvio de conduta deve ser erradicado, reformado. O êxito do educador ou pai será também o do aluno e filho desde que ambos estejam empenhados na mesma tarefa e nunca um caminhando em direção contrária ao outro. 

Outro ponto importante a ser considerado, é se dispor a ouvir da própria criança quais são as Atividades que gostam. Sabemos que naquelas escolhidas por elas, há sempre um maior empenho e interesse na realização. Usando o bom senso, o educador deverá fazer algumas modificações nessas atividades para melhor adequá-las às suas necessidades e propostas cognitivas e nunca ficar preso, refém incondicional, dos padrões repetitivos já existentes. 

Quando o mundo era um lugar mais digno de se viver, onde todos se respeitavam de forma mútua, entre os sábios já existia a proposta da cognição prática, o modelo lúdico, onde a criança ou jovem aprendia vivenciando a coisa, quase como se fosse uma brincadeira. Aprendiam com a vida, com as relações sociais e pessoais, com os problemas, e de tudo isso sempre tiravam uma lição proveitosa para incorporar ao seu repertório cognitivo pessoal. 

Conclusão
Desse modo, as atividades lúdicas com fins didáticos, desde a mais conhecida antiguidade, era naturalmente uma forma de educação, o primeiro modelo, e ainda hoje o mais eficaz e produtivo. Ali a criança aprende fazendo, experimentando, vivendo todo processo criativo. E com a quantidade de recursos dos quais dispomos hoje em dia, podemos tornar nossas práticas didáticas verdadeiras aulas de cidadania, conscientização, e qualificação técnica, e tudo isso simplesmente, brincando. 

E há de se considerar o grupo etário de cada aprendiz, seu temperamento, uma vez que cada uma dessas condições é fator relevante na forma de assimilação do conhecimento. Feito essas considerações, vamos ao trabalho.



LIÇÃO I - Pensando em Atividades
"No modo de ensinar deve-se levar em conta os diversos modos do aprender..."Autores Anônimos

Aprendendo mais sobre Comportamento
Quadro Negro
Uma Atividade Didática só terá valor cognitivo se servir para despertar e desenvolver os traços do temperamento e predisposições daquele indivíduo de forma a lhe acrescentar qualificação ou aprendizado útil, prático, pronto para uso[1]. Numa criança, o mundo que ela conhece, com as limitações próprias da idade, será sempre o ponto de referência de onde partirá em busca de conhecimento e esclarecimento. Isso se amplia à medida que avance no tempo, à medida que novas vivências passam a fazer parte do seu cotidiano.

As diversas formas de Atividades e o modo como elas são aplicadas, farão a diferença quanto ao rendimento da turma. É importante que o educador conheça o valor didático, o objetivo, a função cognitiva, de cada Atividade que venha a criar e aplicar entre os alunos. Isto quer dizer, que não basta aplicar uma Atividade em sala de aula ou em casa porque ela foi criada para determinado fim, é também necessário que, com o tempo, possa o prospector dispor de meios que comprovem sua eficácia, meios que o permitam aferir, medir, se aquela atividade está sendo eficiente, se está ou não cumprindo os objetivos cognitivos da forma como foram planejados.

Assim, ao criar a Atividade o educador deve ter a preocupação, ou cuidado, de também elaborar os meios para aferir se obteve o resultado esperado. É claro que algumas Atividades exigirão mais tempo para demonstrarem seus efeitos, e em outras, estes poderão ser imediatamente comprovados. Em todos os casos, o educador deverá desenvolver o hábito de anotar os resultados obtidos. Com os resultados, poderá ele direcionar sua prática, e mesmo no futuro, ter condições de criar modelos individuais, até com grupos grandes e heterogêneos.

Assim, duas condições básicas devem servir de orientação para o educador na hora de aplicar uma Atividade Recreativa com fins Cognitivos, são elas:
  1. Conhecer o valor didático da mesma, aquilo para que serve.
  2. Saber adaptá-las às necessidades e conveniências da turma, de modo a manter todos interessados e sem perder o valor educacional.
Durante a aplicação de uma Atividade deverá também o educador observar as reações mais relevantes que porventura ocorram entre os alunos e disso tomar nota. Isso lhe dará as informações que precisa para saber dosar cada Atividade ao ritmo das diversas turmas que sempre serão diferentes, criando assim verdadeiros modelos cognitivos personalizados.

Cuidados com o Sentimento de Competição
Uma coisa que se deve, sempre que possível, é evitar durante a prática de Atividades lúdicas, o sentimento de competição, disputa, pois onde há este sentimento, se desenvolverá também o sentimento de separação, antagonismos, brigas, ansiedades, e aos perdedores a sensação de frustração e incapacidade, e tudo isso levará à criança a sensação de insegurança, baixa na autoestima, falta de respeito para com seus amigos agora no papel de adversários. Isso em alguns casos, não são poucos, levará a criança a criar uma forte aversão aos estudos e conflitos de personalidade impossíveis de serem reparados, e tudo isso com graves conseqüências para seu futuro psicológico.

Na correta educação compreender a criança como ela é, e não como deveria ser, é fundamental. Não devemos impor nenhum ideal relativo ao que pensamos que ela “deveria ser”. Enquadrá-la em ideais assim é induzí-la a adaptar-se, o que vai certamente gerar temor e criará nela um eterno conflito entre o que ela é e o que deveria ser. Desse modo, podemos considerar os nossos ideais como vilões no processo de compreendermos a natureza da criança, assim como um importante empecilho para que a mesma se conheça.

Nivelando os Grupos
Outra coisa importante que o educador deverá ter em mente são as faixas etárias mistas algumas vezes comuns em certas classes. Nesses casos, ele deverá observar se o modelo adotado funciona sem resistência dentro da turma. Havendo resistência, deverá pensar em algum artifício para nivelar o grupo.

Também, como uma das funções das Atividades é ajudar a criança a desenvolver o hábito de pensar, não devemos ficar restritos aos modelos tradicionais, onde a criatividade é substituída pela repetição de hábitos da tradição que não educam ninguém. O potencial criativo de uma criança é despertado através de procedimentos que potencializem seus traços fortes ou qualidades pessoais, e nunca com brincadeiras que se prestam apenas a cumprir a carga horária diária dentro de uma sala de aula.

Adaptando Atividades
Desse modo, a introdução de modelos novos e inéditos, deverá ser uma prática regular. De modo indireto isso cria nas crianças a ideia da diversidade e prepara o terreno para que se tornem mais flexíveis em suas escolhas e opiniões. Isso faculta uma melhor adaptabilidade desses jovens aos diferentes contextos que decerto encontrarão dentro do complexo processo do viver. Trata-se de uma maneira de lhes mostrar que o mundo está em permanente estado de movimento, onde nada permanece estático por muito tempo, e esta é a realidade do existir humano.

Por exemplo, supondo uma turma de crianças com idades diversas, onde naquele momento se desenvolve uma atividade onde todos precisam correr para pegar objetos da cor preferida.

Crianças maiores sempre correrão mais que as menores, e apesar de não haver disputa numa prática desse tipo, pode suscitar entre elas o sentimento de inferioridade, o que poderá causar-lhes desinteresse pela brincadeira. Assim, o educador atento, distribuirá entre as maiores, elas não precisam conhecer os motivos, papéis onde não possam competir com os pequenos. Isso gera equilíbrio no grupo, e por não se sentirem diferentes, todos aceitarão sem resistência a prática.

Outro ponto que julgamos de vital importância numa prática dessa natureza deverá ser a preocupação do educador em focar os objetivos das Atividades, de modo a torná-las meios eficazes de modelar aos poucos uma conduta decente, sensata e ética entre todos os participantes, e tudo isso usando suas habilidades e predisposições naturais. Nesse caso, a Atividade se torna então um eficiente meio de trabalhar, aperfeiçoar, potencializar, estas disposições ou vocações pessoais.

Conclusão
O senso de ética e respeito entre os participantes, isso elas poderão levar para o mundo real, desse modo, cada Atividade Recreativa com fins cognitivos, deve contemplar esses princípios, afinal de contas são valores que lhes servirão de suporte por toda a vida.


[1] Pouca utilidade cognitiva terá uma Atividade Didática que se presta apenas à distração ou passatempo. Numa Atividade Lúdica com fins educativos, os sentimentos de humanidade, parceria, respeito, cordialidade e ajuda mútua, devem ser intensamente trabalhados. Esta é, sem dúvida, a ocasião perfeita para o educador. 

"Transferir o conteúdo impresso dos livros para o cérebro dos educandos, isso não é ensinar..."Jon Talber

Pensando em Atividades – Mãos à Obra
Quadro Negro
Pensar em Atividades é definir, escolher, a brincadeira ou tarefa que será usada e qual o objetivo da mesma no sentido de utilidade para a formação do aluno ou criança. Podemos chamar isso de: AQUILO PARA QUE SERVE A ATIVIDADE no processo de formação e desenvolvimento cognitivo do indivíduo, não importando sua faixa etária.

Pensar em Atividades requer duas condições apenas. São elas, a definição do Objetivo e os Meios Necessários para que a mesma possa ser realizada, colocada em prática. Uma Atividade Lúdica que é nosso propósito, pode ser tirada de qualquer situação do nosso dia-a-dia, mas o direcionamento para os fins desejados, isto é o que nos parece um pouco mais complexo de determinar.

Podemos trabalhar nas crianças, jovens e adultos, várias qualidades ou traços positivos de suas personalidades, sempre com o propósito de aperfeiçoar, melhorar ainda mais, cada uma dessas potencialidades. Estes ganhos poderão ser verificados a partir das eliminações de manias ou vícios negativos, ou na requalificação e ampliação de hábitos positivos. O fim desejado irá determinar o tipo de abordagem que será empregada.

Eis uma lista parcial de algumas Qualidades ou Qualificações, ou Traços de comportamento, que poderiam ser trabalhadas em todas as faixas etárias.
  1. Pensamento Lógico 
  2. Capacidade Visual 
  3. Sensibilidade 
  4. Capacidade Artística ou Memória Emocional 
  5. Capacidade de Relacionar-se com Pessoas, ou Pensamento Altruísta. 
  6. Despertar das Habilidades Motoras 
  7. Leitura e Escrita 
  8. Organização, Atenção e Disciplina 
  9. O Princípio da Dúvida

Um exemplo de Criação de uma Atividade
Cada um destes itens se subdivide em outros tantos. Cada um tem seu valor e modo distinto de aplicação. Por exemplo, para se trabalhar o Raciocínio Lógico, é preciso saber o que isto significa, pois só assim saberemos que Atividade é a mais adequada para o despertar ou aprimoramento deste atributo naquele indivíduo.

A Lógica, por exemplo, é a capacidade de organizar as ideias segundo um modelo ordenado e coerente para se chegar à solução de problemas simples ou complexos.

Desejando o educador trabalhar a Lógica nas crianças, deve primeiro começar a imaginar quais Atividades seriam mais adequadas para este fim. Precisaria ele saber então o que éPensamento Lógico, qual sua importância na prática Cognitiva e o mais importante, como ele se desenvolve.

Claro que nessa primeira parte não detalharemos as Qualidades ou itens importantes de cada personalidade, disto trataremos nos temas seguintes. Mas aqui vale um pequeno exemplo de como seria uma Aplicação onde o Pensamento Lógico ou Raciocínio Lógico, ou Dedutivo, poderia ser empregado.

Supondo a ilustração abaixo. Deveria o educador mostrá-la aos seus alunos e pedir para que os mesmos decidissem, por conta própria, o que fariam a seguir. A questão seria: Conforme a lógica da situação abaixo, que figura deveria completar a sequência da ilustração?



Este pequeno exemplo já abre infinitas possibilidades de atividades em salas de aula, ou mesmo em reuniões de grupos familiares.

Isto é uma Atividade de natureza Lógica. Sabendo o que é uma Atividade dessa natureza, o educador teria então em mãos a capacidade de criar suas próprias. O mesmo processo se adequa a todos os demais traços de comportamento, quer dizer, atributos Qualificadores do indivíduo, que poderão ser trabalhados, estimulados ou potencializados."O educador que reconhece publicamente seus limites, se torna uma fonte de inspiração e terá mais crédito dos seus educandos..."
Jon Talber

Questionando a Natureza ou Função Cognitiva de uma Atividade
Quadro Negro
Mas, afinal de contas, para que serve trabalhar a capacidade lógica de alguém, que valor prático tem isso na formação da personalidade ou processo de qualificação de uma criança ou aluno?

Este conhecimento é crucial para que o educador possa ter controle sobre suas Atividades, e também saber exatamente o que está fazendo com seus alunos, e o que deles espera obter como resultado após a aplicação daquela prática didática.

Falando brevemente, o despertar da Lógica numa criança é a ferramenta que lhe dará a habilidade e recursos necessários para ver, estudar, analisar, entender e resolver problemas de qualquer natureza. O despertar dessa habilidade tornará a criança um adulto autoconfiante, independente, mais apto à resolver problemas, com elevada autoestima e motivação.

Claro que o pensar em Atividades não envolve apenas a ideia da brincadeira em si, é preciso que se leve em conta todo processo a ser aplicado durante a realização desse mesmo exercício lúdico. Isto é, definição de espaço físico necessário, materiais, recursos que serão empregados, pessoas que irão coordenar, duração, etc.

Outro ponto importante na aplicação de uma Atividade coletiva ou isolada se refere aos casos onde crianças difíceis ou indisciplinadas fazem parte do grupo. Nesse caso, precisa o educador definir que abordagem usará para torná-los mais sociáveis e organizados, quando for o caso, ou para adequá-los ao padrão dos demais da turma.

Na concepção de Ambientes para Aprendizagem deve-se então pensar nos tipos de jogos que serão aplicados, e o que deles se espera como retorno para os alunos. Vamos falar mais sobre estes jogos nas lições seguintes.

Conclusão
Resumindo esta primeira parte, o educador primeiro precisa estar consciente do tipo de Qualificação da qual irá tratar, abordar, com aquela Atividade e apenas depois disso, cuidar de criar aAtividade correspondente.

Para que seja capaz de fazer isso precisa conhecer as Qualidades ou Qualificações, suas características, como se manifestam e atuam nos alunos, e como fazer para aferir se os resultados estão dentro do esperado. De que adianta aplicar Atividades Cognitivas para os alunos se não for possível medir sua evolução e eficácia, saber ver com clareza se os resultados são os esperados?

Por isso, antes de “Pensar” uma Atividade, deve o educador ter em mente os modelos de aferição que serão por ele aplicados para verificação dos resultados.

Para pensar uma Atividade, primeiro o prospector deve ter em mente o que pretende fazer com ela. Assim, um pequeno roteiro desse Objetivo é necessário. Damos a seguir os passos básicos usados nessa avaliação inicial.
  1. Objetivo: Uma descrição de tudo o que se pretende conseguir, os fins desejados da Atividade. Detalha-se também nessa fase, uma avaliação ou relatório da situação atual – antes do projeto ser aplicado – e o que se espera obter após a aplicação do mesmo, os supostos benefícios.
  2. Descrição detalhada da Atividade: Detalhamento de cada etapa, ambiente ideal para aplicação, materiais empregados, modelos de diagramas para ajudar na arrumação do ambiente, quantidade de pessoas envolvidas, carga horária, faixas etárias envolvidas, etc.
  3. Critérios de avaliação que serão empregados: Modelos de tabelas onde serão anotados os resultados e todas as ocorrências relevantes durante a execução do projeto e também durante a execução, aplicação em campo do mesmo.
  4. Tabela dos resultados obtidos: Histórico com todas às vezes que a Atividade for usada, para efeito de comparação, do antes e depois e tudo isso irá servir de base para melhoramentos, futuros aperfeiçoamentos da técnica.
  5. Ocorrências: Toda e qualquer ocorrência durante a aplicação da Atividade, por mais irrelevante que pareça ser, deverá ser registrada, pois será de grande valia no futuro, quando os resultados forem avaliados, ou mesmo para readaptações e aperfeiçoamentos do processo.
Tudo isso pode parecer detalhamento demais, mas não é, e com o hábito, se tornará algo tão natural que não levará mais que uns poucos minutos para sua elaboração.



"Ensinar sem vocação, é semelhante ao pedreiro que para untar seus tijolos, ao invés de água e cimento, usa água com areia..."Jon Talber

Entendendo mais sobre a Natureza ou Função Cognitiva de uma Atividade
Quadro Negro
Um dos pontos mais fortes do emprego deAtividades para fins educativos, é o fato de podermos criar simulações de modelos de vivências, o que para as crianças pode ser de grande valor. Podemos chamar as Atividadestambém de Modelo de Aprendizagem Ativa, pois são situações onde as crianças aprendem praticando, de moto ativo, construindo, vivendo, vendo o resultado do que estão fazendo.

Uma observação que julgamos importante sobre a criação deAtividades Lúdicas com fins Didáticos, é o seguinte: Supondo que quiséssemos criar uma aplicação para ensinar sobre a Ética do que é Errado ou Certo. Sendo este assunto muito amplo, se o olharmos de forma genérica, não conseguiremos fazer uma abordagem adequada.

Assim, para criarmos uma Atividade de tal natureza, seria preciso escolher só um aspecto do que é Errado ou Certo, para deixar a coisa mais clara. Por exemplo, poderíamos isolar, segmentar, o fato, falando apenas sobre o que Errado ou Certo, na higiene pessoal. Fazendo isso, isolando apenas um dos muitos aspectos do que é Errado ou Certo, estaríamos aptos a criar umaAtividade específica, o que como exemplo se tornaria mais objetivo e eficiente do ponto de vista cognitivo.

Eis algumas dicas que julgamos de grande importância nesse modelo de Aprendizagem Dinâmica ou Ativa.
  1. Dar às crianças margem de escolha pode garantir seu interesse pela tarefa: Sabemos pela prática, que quando as crianças estão interessadas em alguma coisa, é quase certo que aprendam algo de novo e que permaneçam interessadas no que estão fazendo.
  2. As crianças certamente ganham Autoconfiança: Ao descobrirem que podem fazer planos para executar as tarefas até o fim, e que não existem maneiras erradas ou certas de fazer as coisas, começam a ver, a seu modo, que há apenas problemas para serem resolvidos.
  3. As crianças desenvolvem independência ao tomarem decisões e resolverem problemas: Com isso aprendem a não depender em demasia dos outros para saberem como fazer, por que fazer ou quando fazer, e isso, com repertório para enriquecer sua cognição, não tem preço.
Outros aspectos importantes na criação de Atividades são:
  1. Devemos apoiar o prazer que as crianças obterão a partir do contato com as pessoas, materiais e ideias.
  2. Não devemos nos prender a nossos interesses pessoais e tentar transferi-las para as crianças. Essa abordagem na maioria das vezes conflita com os interesses da criança. Assim, os nossos gostos por determinadas atividades deve ser colocado de lado e devemos seguir os interesses da criança, pois isso é uma garantia que teremos sucesso na aplicação.
  3. Na prática de uma Atividade, devemos dividir o controle da mesma com a criança, isto é, deverá haver uma troca de opiniões e nunca ordens no sentido de dominação do maior para o menor.
  4. Devemos abordar a criança dentro o seu nível de compreensão, isto é, as informações deverão ser adaptadas ao modo como as crianças compreendem o mundo à sua volta.
  5. E por último, devemos encorajar as crianças comAtividades e experimentos onde elas possam ter êxito, isto é, as Atividades não poderão ser nem fáceis demais, nem muito difíceis, dando assim a possibilidade da criança ter êxito nas experiências que realiza. Devemos ter cuidado em colocar sempre obstáculos e desafios que possam ser superados.
Para finalizar, um aspecto que julgamos de vital importância na criação de Atividades, são as chamadas Experiências Chaves. São estes, roteiros que descrevem o desenvolvimento social, cognitivo e físico das crianças, entre dois e cinco anos de idade.

Estes processos proporcionam um quadro detalhado dasAtividades típicas das crianças desse grupo etário e dos tipos de conhecimentos que vão adquirir. É um excepcional modelo para os educadores observarem, estudarem, compreenderem e apoiar de forma consistente os interesses das crianças e as capacitações que estão em jogo. Disso, falaremos nas Aulas 2 e 4.

Questão:
Como saber se uma atividade criada por mim está sendo corretamente aplicada, por exemplo, para desenvolver o Raciocínio Emocional da criança? 

Resposta:
Primeiro você precisa saber o que vem a ser Raciocínio Emocional e que benefícios isso trará à criança para seu futuro como adulto. Todos sabemos o que vem a ser o Raciocínio. Isto é a capacidade de coordenar pensamentos de forma ordenada e lógica, o que faculta nos expressarmos adequadamente, dar opiniões, ter ideias. 

Na verdade a inteligência não se divide em partes como a moderna psicologia determina. Para se construir um raciocínio adequado, não podemos ficar restritos à aplicação de normas, gabaritos, protocolos ou fórmulas. Mas, sabemos que na solução de problemas matemáticos, nossa mente atua de modo peculiar, com lógica, onde os pensamentos são ordenados de forma racional, seguindo gabaritos, pois as questões em pautas são metódicas, ou seja, tem uma solução já prevista, já conhecida. O enunciado pode até mudar, mas a solução será sempre a mesma. 

Na resolução de problemas emocionais ou psicológicos, este tipo raciocínio não serve para nada, pois estamos tratando de algo abstrato, que não depende de gabaritos, protocolos formais, técnicas ou fórmulas para ser resolvido. Deve-se então ensinar às crianças desde cedo, o que são sentimentos, respeito mútuo, ensiná-las a compreenderem suas angústias e a dos outros, ajudá-las através de esclarecimentos a saberem o que são os conflitos existenciais, os dramas da vida, e coisas dessa natureza.



Quadro Negro
Questão:
Desejando criar uma Atividade Didática que trabalhe alguns aspectos do emocional da criança, tais como, por exemplo, o sentimento de raiva, angústia, frustração, e coisas dessa natureza, é isso possível? Se for, como devo proceder? 

Resposta:
A princípio, Atividades de qualquer natureza, para o fim que você imaginar, podem ser criadas. Os Atributos emocionais podem ser trabalhados com excelentes resultados, desde que o instrutor conheça as características, a fisiologia, daquele quesito que deseja explorar. 

Esse Estado, ou Atributo emocional é na verdade uma qualidade ou qualificação da personalidade de cada um, e tudo isso, com investigação, ponderação, e a devida compreensão, pode ser reformado ou potencializado. Angústias e ansiedades são sentimentos, estados emocionais indesejáveis e negativos, por isso mesmo, sempre são tratados à distância, como algo capaz de contaminar, além do seu hospedeiro, também o observador. 

Ignorância é a raiz de todos as males e deformações psicológicas do homem. E assim nunca examinamos a fundo tais questões, sua etiologia, sua morfologia e forma de ação. Desse modo, por não sabermos como atuam, logo nos apressamos em categorizar como verdadeiros monstros, pragas virulentas, onde a atitude imediata e mais sensata sempre parece ser o manter distância. 

Assim, por exemplo, desejando o orientador desenvolver em seus educandos a virtude da Paciência, em primeiro lugar, deve ele aprender sobre o que vem a ser a Paciência. Feito isso, terá em mãos todos os requisitos necessários para então criar uma atividade, onde de forma indireta, sempre em tom lúdico, possa isso lhes ensinar. Teoria não resolve é preciso vivenciar a coisa, pois diante de fatos, os argumentos são desnecessários. Essa regra se aplica a todos os demais estados emocionais. 

Paciência não se aprende através de livros, mas com a compreensão do que vem a ser este estado. Para conhecer mais sobre comportamento e autoconhecimento, veja nossa seção de Educação Integral, no linkhttp://www.sitededicas.com.br/holistica_index.htm





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